Character Design
Agel
Contexto
O Agel nasceu dentro do contexto do Hospital Sírio-Libanês, como uma solução de design com foco em acolhimento e acessibilidade para ajudar crianças com TEA durante o processo de exame de sangue.
O exame de sangue pode ser uma experiência bem tensa para muitas crianças, mas para crianças autistas isso pode ficar ainda mais delicado por causa de fatores como:
- ambiente hospitalar desconhecido
- excesso de estímulos
- medo da agulha
- dificuldade com a espera
- falta de previsibilidade
Então o projeto surgiu como uma forma de explicar visualmente o caminho do exame, etapa por etapa, de um jeito mais amigável, concreto e seguro.
Foi aí que entrou Agel: uma gotinha de álcool em gel que “mora” nos dispensers do hospital e atua como personagem-guia/narrador da HQ. Ele ajuda a transformar um processo médico frio em algo mais:
- lúdico
- compreensível
- menos assustador
- e mais próximo da realidade da criança
Além disso, a Historia em Quadrinho foi pensada com fotos reais do hospital, o que é super importante no contexto do projeto, porque não era só uma historinha fofa, era também um recurso de antecipação visual. Ou seja: a criança conseguiria ver antes os espaços, os guichês, a pulseira, a sala de espera, a cadeira ou cama do exame, entendendo o que vai acontecer em cada momento.
O contexto da criação do Agel foi a necessidade de humanizar e tornar mais previsível a experiência do exame de sangue para crianças com TEA no Hospital Sírio-Libanês, usando uma HQ com fotos reais e um personagem acolhedor para orientar, tranquilizar e explicar cada etapa do processo.
Problema
Havia uma dificuldade em comunicar o passo a passo do exame de forma acessível e tranquilizadora para crianças autistas, reduzindo medo, insegurança e sobrecarga diante de um procedimento invasivo.
Crianças com TEA podem enfrentar altos níveis de ansiedade e desconforto durante exames de sangue, especialmente pela dificuldade de antecipar etapas, compreender o procedimento e lidar com os estímulos do ambiente hospitalar. Faltava um recurso visual, acessível e humanizado que ajudasse a tornar essa experiência mais clara e menos estressante.
Objetivo
O objetivo estabelecido foi reduzir a ansiedade e tornar a jornada do exame de sangue mais compreensível, previsível e acolhedora para crianças com TEA, por meio de um recurso visual guiado por personagem.
Desenvolver um material visual educativo e acolhedor que auxilie crianças com TEA a compreenderem, anteciparem e enfrentarem com mais segurança o processo de exame de sangue no Hospital Sírio-Libanês.
Criar uma Historia em Quandrinho digital e interativa para pacientes com TEA que chegam ao Hospital Sírio-Libanês para fazer exame de sangue.
Forma de entrega: Historia em Quandrinho digital compartilhada por link, acessível em qualquer dispositivo com internet.
Leitura mediada: A Historia em Quandrinho será entregue ao cuidador para que ele leia junto com o paciente, ajudando a criar previsibilidade sobre o procedimento.
Metodo
O Agel não surgiu apenas como a criação de um personagem, mas como resultado de um processo de Design de Serviço centrado na experiência do paciente. O projeto envolveu pesquisa, observação em campo, mapeamento da jornada do usuário, entrevistas e estudo sobre o contexto do TEA, para compreender com profundidade os desafios enfrentados por crianças e acompanhantes durante o exame de sangue no Hospital Sírio-Libanês.
Para entender essa experiência de forma concreta, acompanhei o percurso hospitalar desde a chegada ao estacionamento até a saída do paciente, observando etapas, fluxos, interações e pontos de tensão ao longo da jornada. Também conversei com profissionais da saúde e da enfermagem para compreender necessidades operacionais, comportamentos recorrentes e aspectos sensíveis do atendimento. A partir dessa imersão, registrei fotograficamente os ambientes reais do hospital, editei essas imagens e desenvolvi uma HQ guiada por um personagem autoral, pensada para tornar o processo mais previsível, acolhedor e compreensível para crianças com TEA.
Antes de desenhar o personagem, foi preciso desenhar a jornada.
Conduzi o projeto end-to-end. assumi não apenas a construção da solução, mas também a mediação entre processo e gestão. Isso exigiu organização, autonomia e habilidade de comunicação para traduzir constantemente as etapas do projeto, seus objetivos e seus avanços para as lideranças responsáveis.
Foi essencial sustentar sua evolução por meio de checkpoints frequentes e o metodo do Design de Serviço funcionou não apenas como metodologia de projeto, mas também como linguagem de comunicação com stakeholders:Estruturei o processo em fases visuais, o que ajudou a tornar tangível a evolução do projeto, justificando escolhas e mostrando de forma clara o percurso entre pesquisa, imersão, definição e desenvolvimento da solução.

Conceito
O Agel foi concebido como um mediador lúdico entre a criança e o hospital, uma presença simpática que explica, acompanha e acolhe. A proposta une antecipação visual, linguagem simples e ambientação real para reduzir ansiedade e tornar o exame de sangue menos estressante para crianças com TEA.
A escolha por uma gota de álcool em gel como personagem-guia surgiu da observação na pesquisa de campo, os dispensers de alcool em gel estão nas paredes sendo um objeto familiar e presente em todo o ambiente hospitalar.
Agel é um nome criado a partir da junção de “Atípicas” e “Gel”. A escolha busca unir, em uma palavra curta e afetuosa, o público central do projeto; crianças neuroatípicas e um elemento fortemente presente no contexto hospitalar: o álcool em gel.

Concepção do Agel
Formas arredondadas transmitem segurança por isso Agel tem corpo redondo, sem cantos ou pontas. Na psicologia das formas, formas curvas e circulares são associadas a:
- Afeto
- Segurança
- Empatia
- Suavidade
Para crianças autistas, que podem ter maior sensibilidade a estímulos visuais, formas arredondadas são menos agressivas e mais confortáveis aos olhos.

Olhos grandes ativam conexão emocional, Agel tem olhos grandes e expressivos, com um toque levemente “infantilizado”. Psicologicamente, isso:
- Gera empatia imediata
- Ajuda crianças a interpretarem emoções
O que é especialmente importante no TEA, onde leitura de expressões pode ser desafiadora.

Rosto simples, personagem não possue adornos, nem elementos como cabelo ou roupas, isso significa menos sobrecarga sensorial, a carinha do Agel é minimalista, com expressão clara. Isso facilita:
- A leitura emocional
- A identificação do estado de espírito do personagem
- A redução de ruído visual, ideal para crianças com sensibilidade sensorial.
Cores
As cores escolhidas para o personagem, foram inspiradas nas cores do logo da marca do hospital; tons de azul.



Projeto Final
Esse projeto foi o resultado de um processo de pesquisa, observação e escuta conduzido com base no Design de Serviço. Mais do que desenvolver um personagem ou uma HQ, o projeto buscou transformar uma experiência hospitalar delicada em algo mais compreensível, previsível e acolhedor para crianças com TEA. Ao final, ficou claro para mim que, quando o design entende profundamente uma jornada, ele também pode transformar a forma como ela é vivida. O projeto acabou ganhando tanto destaque, que se tornou material para procedimento que acompanha todas as crianças que vão realizar o exame de sangue.