Jekyll2026-03-14T18:13:53-03:00https://bitcoin101.site/feed.xml101 Perguntas sobre BitcoinAprenda Bitcoin com perguntas e respostas: fundamentos, segurança, custódia, carteiras e economia do Bitcoin — sem hype e sem promessas.Breno BritoOs 5 melhores livros para começar a aprender Bitcoin2026-03-13T21:00:00-03:002026-03-13T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/guia/iniciantes/livros/2026/03/13/5-melhores-livros-para-aprender-bitcoinPara quem quer aprender Bitcoin com calma e com fundamento (sem depender de “dica rápida”), um bom livro continua sendo o caminho mais eficiente: dá contexto, organiza conceitos e ajuda a reduzir a chance de cair em narrativas ruins e golpes.

A seguir, uma lista prática com 5 livros para começar, apresentada do 5 ao 1 (o mais recomendado fica por último).

Como escolher um bom livro de Bitcoin (sem perder tempo)

Três critérios simples ajudam a filtrar o que vale a leitura:

  • Foco em fundamentos: dinheiro, escassez, incentivos, custódia, risco e segurança.
  • Sem “promessa de preço”: livro bom evita previsão e marketing disfarçado.
  • Nível certo para iniciantes: alguns livros são excelentes, mas técnicos demais para a primeira leitura.

Os 5 melhores livros para começar a aprender Bitcoin (do 5 ao 1)

5) O Livro de Satoshi (Phil Champagne)

Um compilado do que Satoshi Nakamoto escreveu (emails, posts e explicações). Não é o material mais didático para começar do zero, mas ajuda a colocar o Bitcoin em perspectiva e entender decisões de design.

  • Link: https://amzn.to/3E25veh

4) O Padrão Bitcoin (Saifedean Ammous)

Um dos livros mais conhecidos para entender Bitcoin como tecnologia monetária: história do dinheiro, custo de oportunidade, inflação e preferência temporal.

Não costuma ser o melhor “primeiro livro” (é comum largar no meio), mas é um excelente próximo passo.

  • Link: https://amzn.to/4h5HwJO

3) Inventando o Bitcoin (Yan Pritzker)

Depois de entender o “por quê”, vale entender o “como” sem cair cedo demais no nível de programação.

O livro explica o problema que o Bitcoin resolve e como as peças se encaixam (hash, prova de trabalho, blocos e rede) de forma bem didática.

  • Link: https://amzn.to/4h1myfe

2) O Pequeno Livro do Bitcoin (vários autores)

Leitura curta e objetiva, útil para criar vocabulário e intuição sobre por que Bitcoin importa (principalmente liberdade, dinheiro e incentivos).

  • Link: https://amzn.to/4hjeYNf

1) 101 Perguntas sobre Bitcoin (Breno Brito)

Um livro em formato de perguntas e respostas, pensado para resolver dúvidas comuns de quem está começando: o que é Bitcoin, como funciona, por que existe, quais são os principais riscos e por onde começar.

Por que costuma funcionar bem como primeira leitura:

  • linguagem direta e acessível;
  • cobre fundamentos e noções importantes de segurança;
  • cria base para leituras mais densas depois.

  • Link: https://bit.ly/101BTC

E quanto a livros técnicos (ex.: Mastering Bitcoin)?

São ótimos — só que, para iniciantes, geralmente é cedo demais.

Quando a intenção for programar, rodar nó, entender transações, scripts e detalhes técnicos, aí sim faz sentido migrar para materiais como Mastering Bitcoin (Andreas Antonopoulos), preferencialmente depois de consolidar fundamentos.

Perguntas comuns (FAQ)

Qual é um bom primeiro livro de Bitcoin?

Para iniciantes, um bom primeiro livro costuma ser aquele que explica fundamentos sem jargão desnecessário e sem promessas. 101 Perguntas sobre Bitcoin e O Pequeno Livro do Bitcoin normalmente cumprem bem esse papel.

Ler o whitepaper é obrigatório?

Ajuda, mas não é obrigatório no começo. Primeiro é melhor entender fundamentos (dinheiro, escassez, custódia e risco). Depois disso, o whitepaper fica muito mais simples.

Ler livro protege contra golpes?

Não 100%, mas reduz bastante a vulnerabilidade. Golpes geralmente exploram:

  • pressa;
  • promessa de retorno;
  • custódia com terceiros;
  • desconhecimento de carteira, chaves e segurança.

Próximo passo

Um caminho simples para estudar sem se atropelar:

  1. Começar por um livro introdutório da lista;
  2. Anotar dúvidas que surgirem ao longo da leitura;
  3. Só depois decidir compras, custódia e operação — com calma e com segurança.

Aviso: este texto é educacional e não é recomendação de investimento.

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Breno Brito
Índice do Livro2025-01-23T21:00:00-03:002025-01-23T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/cap%C3%ADtulo%20aberto/2025/01/23/indiceAlivie sua curiosidade dando uma espiada no índice completo do livro, com links para os capítulos abertos.

  1. POR QUE PRECISAMOS DO BITCOIN?
  2. O QUE É O BITCOIN?
  3. QUAL A DIFERENÇA ENTRE BITCOIN COM B MAIÚSCULO E BITCOIN COM B MINÚSCULO? E BTC? E SATOSHIS?
  4. QUEM CRIOU O BITCOIN?
  5. QUAL O LASTRO DO BITCOIN?
  6. QUAL O VALOR INTRÍNSECO DO BITCOIN?
  7. COMO POSSO CONFIAR NO BITCOIN?
  8. BITCOIN É UM ESQUEMA DE PIRÂMIDE?
  9. BITCOIN É UMA BOLHA?
  10. EU PRECISO DO BITCOIN SE JÁ TENHO O PIX?
  11. COM O REAL DIGITAL, EU AINDA PRECISO DO BITCOIN?
  12. BITCOIN É DINHEIRO?
  13. ONDE POSSO COMPRAR BITCOIN?
  14. O QUE É UMA EXCHANGE?
  15. EXISTE OUTRA MANEIRA DE CONSEGUIR BITCOIN SEM COMPRAR?
  16. O QUE POSSO COMPRAR COM BITCOIN?
  17. O BITCOIN É ILEGAL OU REGULADO?
  18. QUANTOS BITCOIN SÃO PRODUZIDOS POR DIA?
  19. O BITCOIN PODE SER DIVIDIDO?
  20. SE POSSO DIVIDIR O BITCOIN INFINITAMENTE, ELE É REALMENTE ESCASSO?
  21. É POSSÍVEL ALTERAR AS REGRAS DO BITCOIN?
  22. COMO O BITCOIN PODE SER UMA MOEDA SEM UMA NAÇÃO OU BANCO CENTRAL QUE O SUPORTE?
  23. O QUE É UM TOKEN?
  24. O QUE SÃO NFTS? ELES EXISTEM NA REDE BITCOIN?
  25. POSSO COPIAR BITCOINS ATÉ FICAR RICO?
  26. O QUE SÃO AS CHAVES PRIVADAS E PÚBLICAS?
  27. O QUE É UM ENDEREÇO DE BITCOIN?
  28. COMO POSSO CRIAR UM ENDEREÇO PARA RECEBER BITCOINS?
  29. MEUS BITCOINS FICAM ARMAZENADOS NA MINHA CARTEIRA?
  30. O QUE É UMA CARTEIRA FRIA?
  31. O QUE É A SEED PHRASE?
  32. POR QUE ALGUMAS PESSOAS TÊM TANTA CONFIANÇA DE QUE O BITCOIN VAI SE VALORIZAR?
  33. MAS SE FOR VALORIZAR, NÃO É MELHOR GASTAR REAIS E GUARDAR BITCOIN? ISSO NÃO É CONTRÁRIO À IDEIA INICIAL?
  34. O BITCOIN É DEFLACIONÁRIO?
  35. INFLAÇÃO NÃO É IMPORTANTE PARA A ECONOMIA?
  36. O BITCOIN PROTEGE CONTRA A INFLAÇÃO?
  37. O QUE É O WHITEPAPER?
  38. O QUE SIGNIFICA P2P?
  39. O QUE É BLOCKCHAIN?
  40. O QUE É O PROBLEMA DO GASTO DUPLO?
  41. O QUE É UM BLOCO?
  42. O QUE É HASH?
  43. QUAIS SÃO ALGUNS TERMOS COMUNS SOBRE BLOCKCHAIN QUE PRECISO APRENDER?
  44. O BITCOIN FOI A PRIMEIRA CRIPTOMOEDA?
  45. QUAIS SÃO AS RAÍZES DAS IDEIAS DO BITCOIN?
  46. POR QUE E QUANDO A DESCENTRALIZAÇÃO É IMPORTANTE?
  47. O QUE SÃO CYPHERPUNKS?
  48. O BITCOIN É ANÔNIMO?
  49. O QUE É MINERAÇÃO DE BITCOIN?
  50. A MINERAÇÃO DE BITCOIN DESTRÓI O MEIO AMBIENTE?
  51. O QUE É PROVA DE TRABALHO?
  52. POR QUE NÃO MUDAR O BITCOIN PARA PROOF OF STAKE (POS)?
  53. O QUE É HASHRATE?
  54. O QUE É O AJUSTE DE DIFICULDADE?
  55. O QUE É UMA ASIC?
  56. QUANTOS BITCOINS EXISTEM?
  57. O QUE É BULL E BEAR MARKET?
  58. O QUE É O HALVING?
  59. QUANDO SERÃO EMITIDOS OS ÚLTIMOS BITCOINS?
  60. O QUE É A ALTURA DO BLOCO?
  61. O QUE É UM NÓ COMPLETO?
  62. O QUE É UMA REORGANIZAÇÃO DA BLOCKCHAIN?
  63. POR QUE DEVO ESPERAR 6 BLOCOS PARA TER MINHA TRANSAÇÃO CONFIRMADA?
  64. POR QUE PRECISO PAGAR UMA TAXA DE TRANSAÇÃO?
  65. O QUE É UM ATAQUE DE 51%?
  66. O QUE É UM ATAQUE DE GASTO DUPLO?
  67. O QUE É UM POOL DE MINERAÇÃO?
  68. SE OS TRÊS MAIORES POOLS DE MINERAÇÃO SE JUNTAREM, ELES TÊM MAIORIA. NÃO É UM RISCO DE CENTRALIZAÇÃO?
  69. COMO O BITCOIN REMOVE INTERMEDIÁRIOS?
  70. O QUE SIGNIFICA SER RESISTENTE À CENSURA?
  71. O QUE É HODL?
  72. TUDO VAI ESTAR NA BLOCKCHAIN?
  73. O QUE SÃO AS CAMADAS DO BITCOIN?
  74. O QUE É A LIGHTNING NETWORK?
  75. O QUE SÃO SIDECHAINS?
  76. EXISTE UMA FORMA DE EU GANHAR RENDA EM CIMA DOS MEUS BITCOINS?
  77. O QUE SÃO CONTRATOS INTELIGENTES?
  78. É POSSÍVEL REGISTRAR COISAS ALÉM DE TRANSAÇÕES NA BLOCKCHAIN DO BITCOIN?
  79. O QUE SIGNIFICA A MENSAGEM DO PRIMEIRO BLOCO DO BITCOIN?
  80. COMO FUNCIONA A CRIPTOGRAFIA QUE PROTEGE O BITCOIN?
  81. O QUE VAI ACONTECER SE QUEBRAREM A CRIPTOGRAFIA DO BITCOIN?
  82. E SE DESLIGAREM A INTERNET?
  83. O QUE SÃO SOFT FORKS E HARD FORKS?
  84. OS MINERADORES CONTROLAM O BITCOIN?
  85. QUAL A CHANCE DE ACERTAREM MINHA CHAVE PRIVADA E ROUBAREM MEUS BITCOINS?
  86. PERDI MINHA CHAVE. COMO RECUPERAR MEUS BITCOINS?
  87. QUANTOS BITCOINS JÁ FORAM PERDIDOS?
  88. SÓ CRIMINOSOS USAM BITCOIN?
  89. POR QUE NÃO VOLTAMOS PARA O OURO AO INVÉS DE USAR BITCOIN?
  90. COMO O BITCOIN VAI COMPETIR COM A VISA E MASTERCARD COM TÃO POUCAS TRANSAÇÕES POR SEGUNDO?
  91. EU PRECISO DECLARAR BITCOINS?
  92. EU PRECISO PAGAR IMPOSTO EM CIMA DOS MEUS BITCOINS?
  93. O GOVERNO PODE PROIBIR O BITCOIN?
  94. O GOVERNO PODE CONFISCAR MEU BITCOIN?
  95. O QUE SÃO ALTCOINS E STABLECOINS?
  96. O QUE É MAXIMALISMO?
  97. QUE NOVAS TECNOLOGIAS DEVEM APARECER NOS PRÓXIMOS ANOS?
  98. O QUE PRECISO PARA RODAR UM NÓ COMPLETO COM TODA A BLOCKCHAIN?
  99. ONDE USAR O BITCOIN NO BRASIL E NO MUNDO?
  100. ONDE POSSO ME INFORMAR MELHOR?
  101. COMO POSSO CONTRIBUIR?

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Breno Brito
Capítulo 100 - Onde Posso Me Informar Melhor?2023-12-26T21:00:00-03:002023-12-26T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/cap%C3%ADtulo%20aberto/2023/12/26/onde-posso-informar-melhorProvavelmente, a primeira coisa que você deveria ler depois deste livro é a Introdução ao Bitcoin do Bitcoinheiros. Lá você vai ter um passo a passo didático e prático de como começar no bitcoin. Mesmo que você já use bitcoin, ainda recomendo ler por não ser grande e cobrir vários passos importantes. Lembre de sempre tomar cuidado, pois as informações podem estar desatualizadas, faça uma pesquisa antes de instalar qualquer coisa.

Livros:

Lista de sites com para conhecer mais:

Visualizações e dados:


Caso tenha indicações, abra um novo issue aqui.

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Breno Brito
Capítulo 1 - Por que precisamos do Bitcoin?2023-12-26T21:00:00-03:002023-12-26T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/cap%C3%ADtulo%20aberto/direitos%20humanos/2023/12/26/por-que-precisamos-do-bitcoinO dinheiro, as leis e o idioma são três importantes instituições criadas pela ordem espontânea, como nos conta o filósofo e economista F.A. Hayek. Não existe uma pessoa a quem se possa atribuir a invenção do dinheiro. Aliás, sem pelo menos duas pessoas, o dinheiro não faria sentido.

Em basicamente todas as civilizações humanas o dinheiro surgiu espontaneamente em formas diferentes (tecnologias monetárias como conchas, sal, gado, metais, moedas, notas de papel, etc), mas sempre com o mesmo espírito. O dinheiro é a tecnologia social que permitiu uma melhor cooperação humana e possibilitou a especialização e a divisão de trabalhos através do cálculo econômico, possibilitando a melhor alocação de recursos, a criação de economias de escala e o planejamento do futuro.

O dinheiro possibilita comprar tudo que você precisa com apenas uma troca. Em uma sociedade sem dinheiro, você precisa saber que o vendedor de carne quer sapatos em troca de seus produtos, que pode ser diferente do vendedor de produtos de limpeza – que deseja tecido –, enquanto o vendedor de roupas quer sal, etc. Tendo dinheiro você sabe o que todos querem – que é dinheiro – e consegue fazer um orçamento, uma previsão de quanto do seu salário você pode economizar ou um planejamento de quanto precisa trabalhar para comprar uma casa nova.

Durante os milênios de nossa história, quando povos diferentes se encontravam, suas tecnologias monetárias também interagiam. Quando os europeus descobriram que povos africanos usavam miçangas de vidro como dinheiro, eles usaram sua tecnologia de produção dessas miçangas para “imprimir” o dinheiro africano e comprar suas propriedades por bagatelas. Isso obviamente inflacionou a moeda desses povos e os empobreceu, enquanto enriqueceu os europeus, fazendo essa tecnologia monetária antiga virar somente história. Isso não é um conceito novo. Durante a segunda guerra, nazistas despejavam de aviões libras esterlinas na Inglaterra, impressas na Alemanha, para desestabilizar a economia britânica e facilitar um ataque.Ou seja, uma propriedade muito importante do dinheiro é o que Nick Szabo chama de custo infalsificável, ou seja, uma boa tecnologia monetária deve ser comprovadamente muito cara de ser fabricada, forjada, minerada ou impressa.

Hoje nós passamos pelos mesmos problemas que esses povos africanos. O banco central do Japão, por exemplo, já é dono de mais de 60% do mercado financeiro japonês de ETFs. Apesar de ser muito difícil para o cidadão comum imprimir dinheiro, o custo para o governo imprimir dinheiro é praticamente zero. Não só isso, é uma prática comum, parte da chamada política monetária de um país.

Enquanto, antigamente, o dinheiro era uma commodity – um produto como gado, sal, ou metal, que precisava de recursos reais e um trabalho real para ser produzido/extraído –, hoje é simplesmente um número impresso num pedaço de papel ou até “zeros e uns” num computador, que podem ser alterados com poucos cliques, sem a commodity que existia por trás restringindo a impressão ilimitada. A inflação gerada por esse aumento proposital na quantidade de dinheiro é chamada pelo Nobel em economia, Milton Friedman, de imposto inflacionário, ou seja, um decréscimo oculto e proposital do poder de compra do cidadão.

Quem está hoje chegando aos 50 anos de idade deve ainda ter uma lembrança do processo de hiperinflação pelo qual o Brasil passou nos anos 80. Impedidos de guardar seu dinheiro (que em dias virava pó), os brasileiros eram obrigados a investir na caderneta de poupança para evitar a corrosão de seu patrimônio e, em 1990, o recém-eleito presidente Collor decretou o confisco da poupança tentando eliminar a inflação. Os brasileiros acabaram sem poupança e com hiperinflação até o Plano Real, em 1994, que atacou a raiz do problema: o gasto do governo subsidiado por impressão de dinheiro. Mais recentemente, em 2008, houve a maior crise econômica desde 1929. Enquanto o mundo inteiro sofria com as consequências da crise, os bancos que a causaram foram resgatados com dinheiro impresso pelo governo. Os governantes usam seu poder sobre o dinheiro para mudar as regras do jogo a seu bel prazer e em benefício próprio às custas do cidadão comum.

Mais do que uma nova tecnologia monetária, o bitcoin é a evolução do dinheiro como conhecemos hoje, tendo sido criado especificamente para resolver os problemas mencionados acima. Junto desses problemas, são corrigidos vários incentivos perversos hoje existentes, além de se tornar acidentalmente o melhor investimento da década, se valorizando em praticamente 3.000.000.000% desde o início, quando primeiro adquiriu valor em 2010.

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Breno Brito
Quais novas tecnologias devem surgir nos próximos anos no Bitcoin?2023-12-25T21:00:00-03:002023-12-25T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/cap%C3%ADtulo%20aberto/tecnologia/2023/12/25/novas-tecnologias-bitcoinMesmo com todo avanço tecnológico que tivemos no bitcoin nos últimos anos, ainda temos alguns problemas fundamentais para melhorar.

Um desses problemas é a escalabilidade. Devido à natureza intrinsecamente onerosa da tecnologia blockchain, mesmo com todas as melhorias existentes, ainda não é possível todas as pessoas do mundo usarem o bitcoin – e nem qualquer outra criptomoeda – para todas as transações do dia a dia de maneira não custodial e descentralizada.

É crucial ressaltar que, mesmo na forma atual, já desfrutamos de benefícios significativos em comparação com o sistema anterior. Isso se reflete na facilidade de transações, na eliminação de fronteiras em pagamentos internacionais, na capacidade de realizar transações não censuráveis, na facilidade de auditoria e na presença de uma ampla concorrência e inovação no setor. Essas vantagens são especialmente evidentes quando comparadas com as limitações do dinheiro fiduciário tradicional.

As próximas grandes inovações do bitcoin provavelmente se concentrarão na resolução da escalabilidade. Em breve, poderemos testemunhar o desenvolvimento de:

  • Fábricas de canais para a Lightning Network – uma forma de abrir canais com mais usuários sem precisar publicar uma primeira transação na blockchain;
  • Bifrost – uma extensão da rede Lightning Network possibilitando maior programabilidade;
  • Prime – uma possível nova primeira camada sem o uso de blockchain, ou seja, sem várias limitações que temos hoje, como de escalabilidade;
  • Fedimint – uma forma de banco comunitário open source;
  • Cashu – um sistema open source para garantir privacidade aos usuários de sistemas centralizados;
  • Ark – uma forma de compartilhar transações, diminuindo bastante a dependência da primeira camada;
  • Rollups – uma forma de agregação de transações; Enigma Network** – uma forma de pré-programar transações, garantindo o uso das moedas sem a necessidade de publicação imediata na blockchain;
  • Mercury Layer – uma forma de fazer transações off-chain enviando as chaves privadas para o destinatário garantindo o mesmo nível de privacidade que dinheiro físico;
  • UTreeXO – uma forma de diminuir o uso de dados em nós completos pessoais;
  • Drivechains e sidechains – uma forma de criar outras sub-blockchains usando a segurança da blockchain principal.

O que esperar do próximo soft fork do Bitcoin?

O próximo soft fork provavelmente será algum tipo de covenant, uma forma de obrigar o receptor de bitcoin a seguir regras predefinidas. Por exemplo, eu posso definir um contrato onde o receptor só pode gastar para um endereço específico; isso é particularmente útil para construir cofres virtuais.

A maior chance dos covenants serem implementados se deve ao fato que ele viabiliza muitos dos itens acima. Hoje existem várias propostas de implementação de covenants, como CTV, OP_CAT, OP_VAULT, OP_TXHASH e CATT.

Outro problema que nos próximos anos pode começar a ficar mais aparente é a padronização de como transmitir seus bitcoins como herança para seus filhos e recuperação de bitcoins.

Diferente de sistemas custodiais, nos quais empresas têm controle sobre seus dados e podem recuperar sua senha, caso você perca sua chave privada, você não conseguirá mais usar seus bitcoins. Já existem algumas formas de trabalhar esse problema e algumas empresas focadas nisso, mas não existem melhores práticas bem estabelecidas. Mesmo assim, inovações interessantes estão surgindo no setor, como as propostas pela empresa Casa Hodl e a carteira Liana.

Bitcoin mais “inteligente” no futuro

Embora a volatilidade do bitcoin tenha diminuído ao longo do tempo, ainda se mantém em níveis significativos, impedindo sua adoção generalizada como unidade de conta.

Outras altcoins usaram a alta capacidade de programabilidade das redes para criar moedas estáveis algorítmicas sobrecolateralizadas, ou seja, uma forma de replicar o dólar usando apenas código.

Apesar de replicar também praticamente todos os problemas do dólar, esse dólar sintético não depende de bancos para enviá-lo pela internet e mantém o valor estável de unidade de conta do dólar, o que pode ser bem útil para uma pessoa que queira evitar volatilidade.

Aproveitar a rede bitcoin para emitir outros ativos usando a mesma infraestrutura também é algo que pode melhorar o uso futuro e integração do bitcoin no dia a dia das pessoas. Existem iniciativas para facilitar esse tipo desenvolvimento e aumentar a expressividade da programação dos contratos inteligentes no bitcoin como:

  • RGB – uma segunda camada que fornece programabilidade completa ao bitcoin, garantindo a segurança da primeira camada, junto com a possibilidade de emissão de ativos e mais;
  • Taproot assets – uma maneira de emitir tokens no bitcoin usando a tecnologia Taproot, que poderão ser transacionados através da Lightning Network;
  • Discreet Log Contracts (DLC) – Contratos inteligentes que usam oráculos, ou seja, informações de fora da blockchain;
  • BitVM – uma máquina virtual dentro do bitcoin agora é possível, abrindo a possibilidade para o mesmo nível de programabilidade de contratos inteligentes de outras altcoins num canal de pagamentos.

A conexão entre bitcoin e inteligência artificial

Com os avanços e popularização dos modelos mais novos de inteligência artificial, surgiu um novo mercado onde o bitcoin pode ser relevante.

Hoje, quase todo pagamento na internet é baseado em crédito, o que gera várias dificuldades, dentre elas: demora entre o pagamento e a liquidação, risco de estorno, risco de fraudes de cartão de crédito, necessidade de KYC, e outras.

Além disso, um agente de IA autônomo não consegue ter sua própria conta bancária em dinheiro fiduciário. Todas essas questões conseguem ser resolvidas usando um bearer asset como bitcoin na lightning. O protocolo L402 já está implementado na Langchain, uma das bibliotecas de IA mais populares e em breve deveremos ver ele ser usado com mais frequência.

Bitcoin e redes sociais

Além disso, hoje existe um grande problema relacionado a redes sociais. Esse problema é muito difícil de resolver porque assim que uma rede social adquire um tamanho grande o suficiente, sair dela e migrar para outra é inviável se todas as pessoas não fizerem isso junto.

Isso gera poucos monopólios decidindo o que pode ser apagado ou reforçado e basicamente escolhendo o que você vai ver. Usando um raciocínio similar ao sistema de incentivos do bitcoin, um brasileiro desenvolveu o NOSTR, um protocolo de comunicação resistente à censura.

Com base nele, uma rede social nada mais seria do que uma forma de ver as informações geradas pelas pessoas, garantindo o controle do usuário sobre seus dados, facilitando a concorrência e a inovação. Ele é uma ótima alternativa aos sistemas de “Web3” de hoje, que tentam encaixar tudo dentro de uma blockchain ineficiente e geram um token desnecessário para ganhar em cima dos usuários.

Holepunch é uma tecnologia P2P também focada em comunicação que promete trazer mais privacidade, simplicidade e eficiência. Ele e o NOSTR podem vir a ser bons canais de comunicação para coordenação de outros protocolos que usam bitcoin.

Esses são só alguns exemplos de tecnologias que já estão sendo pensadas. Certamente muitas outras ainda mais inesperadas surgirão no futuro próximo.


Publicado no Portal do Bitcoin em 26 de dezembro 2023.

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Breno Brito
Os 7 fundamentos do maximalismo do bitcoin2023-05-25T21:00:00-03:002023-05-25T21:00:00-03:00https://bitcoin101.site/cap%C3%ADtulo%20estendido/filosofia/2023/05/25/7-fundamentos-maximalismoQuem está dentro do universo cripto há algum tempo já deve ter se deparado com o termo “maximalista”, geralmente associado ao bitcoin. “Maximalista de bitcoin” é um termo que genericamente significa que a pessoa acredita que o bitcoin é um ativo monetário superior às outras criptomoedas (e outras moedas fiduciárias) e que será (ou deveria ser) a reserva financeira mundial do futuro, além de rejeitar a tese do futuro multimoeda. 

Neste texto tento delimitar os aspectos fundamentais que unem a maioria dos que se reconhecem hoje como “maximalistas” para entendermos melhor esse movimento, clarear as ideias e inclusive ajudar a comunicação no ecossistema cripto, em geral. Importante ressaltar que, apesar de eu me considerar um maximalista, eu não posso falar por todos e que naturalmente posso ter alguns vieses. Além disso, não vou me adentrar neste momento na história de surgimento do grupo, traços culturais marcantes e outros aspectos que, por mais que possam até ser comuns, não considero como determinantes para a pessoa ser um maximalista.

Os 7 Fundamentos

Pela minha observação, o que geralmente diferencia um maximalista de outros entusiastas cripto são as seguintes ideias:

  1. O caso de uso cripto mais importante é termos uma moeda sonante1 forte descentralizada politicamente neutra para ser a moeda de reserva financeira global.
  2. Essa moeda precisa resistir a ataques, que certamente virão.
  3. A moeda de reserva financeira global deve ser perene.
  4. A produção e distribuição da moeda de reserva financeira global deve ser justa.
  5. É melhor termos uma única moeda do que várias moedas.
  6. O resultado prático da descentralização importa mais que a descentralização em si.  E, por fim:
  7. Somente o bitcoin cumpre (ou pode cumprir) os requisitos acima, por suas características únicas e sua concepção imaculada.

1º) O caso de uso mais importante

Não é de hoje que se repete “Blockchain, not Bitcoin”, muitas vezes numa tentativa de esvaziar a importância da criação máxima do Satoshi Nakamoto, como se o bitcoin tivesse sido apenas uma prova de conceito das maravilhas que a blockchain poderia realizar. Não se enganem: tudo que a blockchain pode realizar de especial, ela só pode por causa do token que a faz funcionar. É o bitcoin que viabilizou a blockchain, não o contrário. Sem o valor monetário do bitcoin para rodar esse intricado jogo de incentivos que permite a descentralização, a blockchain não passa de um sistema de versionamento Git (sim, o que se usa no GitHub).

Satoshi Nakamoto deixou bem claro sua intenção no bloco gênese e em seus emails e posts de fórum e hoje faz parte da cultura: o bitcoin é um instrumento para substituir o experimento fiduciário que hoje prejudica bilhões de pessoas no mundo inteiro. O bitcoin não foi criado para ser uma forma de pagamentos mais rápida, foi criado para garantir direitos humanos se tornando a moeda de reserva financeira global. E, ao mesmo tempo que ele garante importantes direitos humanos2 ao redor do mundo, ele também conserta diversos outros problemas existentes hoje.

Todos os outros potenciais casos de uso da blockchain e outras criptos à luz disto são apenas melhorias incrementais aos sistemas que já temos e não mudarão nenhum problema fundamental da sociedade. Não que não deva ser construído mais nada ou que nada mais gere valor, mas poderiam ser construídos em cima do bitcoin fortalecendo a criptomoeda mais sólida, mais descentralizada, mais segura, com maior histórico e efeito de rede existente, ao invés de criar um token (geralmente) pré-minerado competindo como dinheiro meramente para fazer uma blockchain menos segura e menos descentralizada funcionar. 

2º) Resiliência e Antifragilidade

A moeda de reserva financeira global inevitavelmente vai sofrer ataques. Vivemos num mundo com uma grande diversidade de opiniões, ideias, culturas e sistemas políticos. Temos classes privilegiadas (os cantilionários) que se beneficiam do sistema atual, pessoas que naturalmente não gostam de mudanças, países cuja hegemonia depende do sistema fiduciário atual, guerras… Entretanto, um bom dinheiro deve ser bom também para seu inimigo.

No passado, nações inimigas imprimiam dinheiro de outras nações para desestabilizar suas economias, reis diluíam a liga metálica de suas moedas para obter vantagens financeiras, dinheiro já foi usado para aplicar sanções em outros países, confiscaram a poupança de um país inteiro e cidadãos foram impedidos de ter ouro. Ou seja, temos uma vasta história de casos onde a moeda foi usada como arma contra outros países ou cidadãos. A moeda de reserva financeira global deve ser forte o suficiente para resistir a ataques e, melhor ainda, se possível, impedir ataques às pessoas pacíficas.

Como toda tecnologia aberta que surge trazendo benfeitorias, ela logo é também apropriada para usos escusos. Sendo assim, apesar de o bitcoin trazer a visão de um futuro promissor, sua tecnologia está sendo rapidamente apropriada para um controle monetário mais intenso da população. Não são poucas as notícias de vontades políticas querendo trazer o sistema de crédito social chinês para o ocidente. A velocidade de adoção e desenvolvimento nas suas camadas superiores são cruciais aliados à estabilidade e resiliência de sua primeira camada.

A competição com outras criptomoedas também pode ser vista como potencialmente contraprodutiva, por diminuir a velocidade de seu avanço. Existem cenários onde a existência de outras criptomoedas foi benéfica ao bitcoin, como na implementação do SegWit, quando outra criptomoeda serviu como uma “testnet real” do bitcoin; ou na implementação da criptomoeda GRIN, que foi uma das primeiras a implementar a tecnologia Mimblewimble, outro caso onde vários que se denominam maximalistas acompanharam animados o lançamento. Entretanto, uma rede é mais forte do que a soma de redes menores.

3º) Perenidade

É indiscutível que uma grande vantagem do bitcoin é ser um software programável, que o faz capaz de adquirir infinitas funcionalidades. Por outro lado, da mesma forma que uma imprevisibilidade nas características físicas do ouro o impossibilitaria de se tornar moeda, a perenidade no protocolo do bitcoin é crucial para garantir seu destino como moeda. É fácil observar que todo país onde não há previsibilidade da moeda passa necessariamente por dificuldades econômicas justamente porque a previsibilidade da moeda é uma característica essencial que possibilita o planejamento.

Sendo assim, é importante que as atualizações sejam feitas através de soft forks, por serem compatíveis com versões anteriores. Novas funcionalidades são menos importantes que a função principal de moeda e podem sempre ser implementadas em outras camadas, sidechains, etc, sem alterar o que a moeda foi feita para ser. Isso implica em:

  1. Ter uma mentalidade conservadora e cautelosa em relação a atualizações e desenvolvimento da moeda, contrária à mentalidade startupeira “Mova rápido e quebre coisas”.
  2. Acreditar que os direitos minoritários e individuais devem ser protegidos. Uma empresa ou pessoa que usa o protocolo não deve ser obrigada a refazer seu produto porque o time de desenvolvimento o mudou para incluir um novo feature.

Em resumo, só é possível eu construir minha vida ao redor desta nova moeda se eu sei que ela vai se manter assim. Isso também facilita bastante o trabalho de ter que estudar toda semana “a nova moeda que vai substituir o bitcoin” ou então estudar o novo consenso do último hard fork e posso me aprofundar na moeda que importa e que não vai mudar.

4º) Ética

Toda sociedade existe através da cooperação de seus indivíduos e, a partir de certa escala, o dinheiro é a única forma que torna possível a coordenação desta cooperação. Ou seja, a moeda está sempre no cerne de uma sociedade e, se desejamos uma sociedade justa, consequentemente desejamos também uma moeda justa. Assim como não há um indivíduo responsável pela invenção do dinheiro, não deve haver uma instituição com privilégios em relação à moeda.

Até 2009 não havia ainda tecnologia para garantir esse nível de neutralidade, mas hoje ela existe.

Pense bem: você acharia justo que o governo do seu país pré-minerasse a moeda e a garantisse para certas instituições privilegiadas à custa dos demais? Bem, na verdade já é a situação que temos hoje e é justamente o motivo de criação do bitcoin, para início de conversa.

5º) Unicidade

É amplamente conhecido o período áureo 3 do padrão-ouro. Este foi um momento histórico onde grande parte das nações do mundo usaram ouro como base de suas moedas e, simultaneamente, tivemos também grandes avanços científicos, artísticos, tecnológicos e econômicos. Como já dito anteriormente, uma moeda previsível facilita o planejamento e o valor das moedas nacionais nada mais eram do que a quantidade de dígitos em papel dividido pelo ouro em estoque do país. Qualquer negociação internacional era extremamente mais previsível. Além disso, como o ouro é a commodity com menor razão de escassez4, também era a moeda com a maior previsibilidade e menor alteração de base monetária.

Pode ter sido coincidência? A teoria, a lógica e a experiência indicam que não, já que todas as sociedades desenvolvem uma forma de dinheiro a partir de certa escala ao invés de usar o escambo, justamente por ser extremamente mais eficiente e simples. A matemática também indica que tendemos a sempre ter uma única rede: sabemos pela lei de Metcalfe que o valor de uma rede é o quadrado dos seus nós e junto com a inequalidade de Jensen temos \( (a+b)^2 \geq a^2 + b^2 \), ou seja, em geral os benefícios de uma única rede superam os de várias redes somadas; este o motivo do facebook engolir o orkut e se manter basicamente invicto5.

Ou seja, vamos convergir para uma rede monetária. Criar outras redes monetárias (altcoins) faz com que o valor total para a sociedade seja menor, pois uma rede é mais valiosa do que a soma de redes menores.

6º) Resultado prático da descentralização

Com a popularização e valorização do bitcoin, a descentralização, sendo o principal valor agregado da blockchain como dito acima, virou rapidamente uma das principais expressões da moda de quem estava trabalhando em uma nova altcoin. Assim como bastava colocar “blockchain” no nome da empresa para suas ações dispararem, todos estavam em busca da descentralização do que fosse possível, independentemente se fazia sentido ou não, todos queriam que suas ações/ativos/moedas disparassem. Pouco importava que o “produto descentralizado” fosse produzido, vendido e gerido por uma empresa bem centralizada, o importante era a hype.

Da mesma forma, hoje existem diversas DAOs (Organizações Descentralizadas Autônomas) que não são descentralizadas ou que a descentralização não lhes acrescenta nenhum valor além de brilharem os olhos de investidores incautos. Não faltam exemplos de altcoins que se dizem descentralizadas, mas que na prática são controladas por poucas mãos.

Entretanto, a palavra “descentralizada” não aparece nenhuma vez no whitepaper do bitcoin. A preocupação do Satoshi nunca foi criar uma moeda descentralizada, mas criar uma moeda virtual que não dependesse de uma instituição financeira intermediária assim como dinheiro físico. A descentralização é apenas um meio para um fim.

7º) Propriedades únicas do bitcoin

Dado os 6 fundamentos anteriores, o bitcoin é o único que cumpre todos estes requisitos. Algumas pessoas, inclusive, apontam que as características únicas do bitcoin são tão especiais que o faz irreplicável.

O whitepaper foi publicado em 31/10/2008, dando 2 meses de antecedência antes de ele minerar o bloco gênese em 03/01/2009, período em que ele entrou em contato com as únicas pessoas possivelmente interessadas em seu projeto peculiar. Seis dias após o bloco gênese, foi minerado o primeiro bloco e o software de mineração estava disponível para qualquer um que quisesse. No bloco gênese, ele pôs uma mensagem não só de motivação política, mas como prova de que não houve pré-mineração; anos depois essa prática seria recorrente em novas criptomoedas. Satoshi minerou para garantir a segurança da rede, desligando suas máquinas conforme a rede crescia, até ele mesmo sumir da existência quando sua presença não era mais estritamente necessária. Além disso, a capitalização total do bitcoin foi praticamente zero por um ano e meio, aproximadamente, enquanto mineradores gastavam eletricidade e maquinário sem nenhuma garantia que seus bitcoins um dia valeriam algo. Eram abundantes os sites “faucets”, onde era possível receber alguns bitcoins completamente de graça.

“Bitcoin se beneficiou de um conjunto muito raro de circunstâncias. Por ter sido lançado em um mundo onde o dinheiro digital não tinha valor estabelecido, eles circulavam livremente. Isso não pode ser recapturado hoje, pois todos esperam que as moedas tenham valor. A concepção imaculada” – Nic Carter

Ou seja, além do bitcoin cumprir as 6 propriedades acima, ainda teve uma concepção imaculada, impossível de ser replicada por outras criptomoedas.

Conclusão

Em resumo, o maximalista acredita que o bitcoin é a única criptomoeda que traz como caso de uso principal um dinheiro forte, descentralizado, politicamente neutro, antifrágil, perene, ético e é praticamente impossível de ser replicado. Isso significa que pode ser a única chance que temos.


Originalmente publicado no blog do Mercado Bitcoin em 26 de maio 2023.


  1. Do inglês “sound money”, muitas vezes traduzido como moeda forte, saudável ou sadia. “Moeda sonante” é uma tradução também comum, apesar de antiga, devido ao fato da moeda antiga metálica emitir um som mais limpo e bonito quando a liga metálica era mais pura, sendo seu som uma maneira simples de verificar o quanto do metal tinha sido diluído. Uma moeda que emitia um som dissonante ou “sujo”, então, tinha sido claramente adulterada. 

  2. Leia mais sobre porque o bitcoin importa em O Pequeno Livro do Bitcoin. 

  3. pun intended. 

  4. S2F 

  5. Existem redes sociais que competem com o facebook como o twitter, mas elas são distintas o suficiente para coexistirem. 

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Breno Brito