Diagonal https://diagonal.social Pessoas São o Nosso Território Sat, 07 Mar 2026 19:19:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://diagonal.social/wp-content/uploads/2022/06/Caminho-17595-150x150.png Diagonal https://diagonal.social 32 32 Revista Diagonal – Fevereiro 2026 https://www.flipsnack.com/8A6F9CBBDC9/revista-diagonal-fevereiro-2026 Sat, 07 Mar 2026 19:12:32 +0000 https://diagonal.social/?p=10226 Revista Diagonal | Dezembro 2025 https://www.flipsnack.com/8A6F9CBBDC9/revista-diagonal-dezembro-2025 Sat, 07 Mar 2026 19:10:57 +0000 https://diagonal.social/?p=10222 Crise de hospedagem, metas abrangentes e ‘herança maldita’ travam definição de pauta prioritária às vésperas da COP30 https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/10/17/crise-de-hospedagem-metas-abrangentes-e-heranca-maldita-travam-definicao-de-pauta-prioritaria-as-vesperas-da-cop30.ghtml Tue, 04 Nov 2025 18:47:50 +0000 https://diagonal.social/?p=10013 Katia Mello no podcast – Essa barra que é gostar de ESG https://open.spotify.com/episode/4XLodtqSlSc1MZEgZvosfv?si=ex-HxduaTuOQlZm12QFYUQ&nd=1&dlsi=9b229cd69e344606 Tue, 04 Nov 2025 17:24:55 +0000 https://diagonal.social/?p=9985 Programa ‘Por Dentro da COP30’ – BNews https://www.youtube.com/watch?v=T2lddJBT_PU Tue, 04 Nov 2025 17:23:27 +0000 https://diagonal.social/?p=9980 COP30: do discurso à prática – por Clara Assumpção https://diagonal.social/cop30-do-discurso-a-pratica-por-clara-assumpcao/ Tue, 04 Nov 2025 14:40:15 +0000 https://diagonal.social/?p=9940 O desafio da COP30 é consolidar pactos intersetoriais capazes de transformar territórios. A realização da COP30 em Belém do Pará coloca o Brasil em posição estratégica na governança climática global. Ao ocorrer na Amazônia, a conferência carrega a responsabilidade de traduzir compromissos multilaterais em ações concretas. O desafio é não repetir a lógica de promessas […]

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O desafio da COP30 é consolidar pactos intersetoriais capazes de transformar territórios.

A realização da COP30 em Belém do Pará coloca o Brasil em posição estratégica na governança climática global. Ao ocorrer na Amazônia, a conferência carrega a responsabilidade de traduzir compromissos multilaterais em ações concretas. O desafio é não repetir a lógica de promessas pouco executadas, mas consolidar arranjos institucionais capazes de gerar legados reais para os territórios e populações, principalmente as mais afetadas pela crise climática.

Meu tema de pesquisa em políticas públicas tem mostrado que o investimento social privado (ISP) pode assumir papel importante nesse processo quando articulado a políticas públicas e ao fortalecimento comunitário. O ISP já percorreu uma trajetória que vai da filantropia assistencialista ao alinhamento estratégico com agendas ESG e de desenvolvimento territorial. Essa evolução abriu espaço para novas formas de atuação, mas também evidenciou que iniciativas isoladas e sem governança local têm baixo potencial de transformação.

A COP30 é uma oportunidade para demonstrarmos que é possível superar essa fragmentação. Para tanto, será necessário articular governos, empresas e sociedade civil em torno da pactuação intersetorial e planos de longo prazo. O ISP pode assumir protagonismo nesse processo ao se engajar em coalizões que unam justiça climática e desenvolvimento territorial, gerando resultados que transcendam projetos pontuais.

Práticas como o Urbanismo Social já mostram que é possível integrar investimentos públicos e privados em infraestrutura e serviços, associados à participação comunitária para transformar territórios. Quando orientado por esse olhar, o ISP gera impacto local e amplia a incidência política, ajudando a desenhar cidades e comunidades mais resilientes. Nesse campo, a Diagonal atua como articuladora desses pactos, oferecendo, por meio de sua consultoria em desenvolvimento territorial para empresas e de sua atuação direta com comunidades vulnerabilizadas e afetadas pelos riscos climáticos, ferramentas concretas de enfrentamento às desigualdades e metodologias que fortalecem a governança local.

Nesse sentido, a COP30 pode ser um catalisador de novos pactos intersetoriais. O risco de se restringir a uma vitrine de intenções é real, mas temos a oportunidade de liderar um ciclo de transformações positivas, não apenas pelo discurso, mas pelo exemplo de como articular sociedade civil, setor privado e poder público em torno de legados sociais e ambientais permanentes.

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Revista Diagonal | Setembro 2025 https://www.flipsnack.com/8A6F9CBBDC9/revista-diagonal-setembro-2025/full-view.html Thu, 25 Sep 2025 14:44:02 +0000 https://diagonal.social/?p=9729 Revista Diagonal | Julho 2025 https://www.flipsnack.com/8A6F9CBBDC9/revista-diagonal-julho-2025/full-view.html Wed, 24 Sep 2025 12:55:56 +0000 https://diagonal.social/?p=9474 Revista Diagonal | Abril 2025 https://www.flipsnack.com/8A6F9CBBDC9/revista-diagonal-abril-2025/full-view.html Tue, 23 Sep 2025 12:56:57 +0000 https://diagonal.social/?p=9477 Transição energética para quem? Os riscos de uma nova exclusão social verde – por José Guilherme Schutzer https://diagonal.social/transicao-energetica-para-quem-os-riscos-de-uma-nova-exclusao-social-verde-por-jose-guilherme-schutzer/ Fri, 12 Sep 2025 10:42:42 +0000 https://diagonal.social/?p=9462 A transição energética, impulsionada pela urgência da descarbonização, tem ocupado o centro dos debates climáticos globais. Essa discussão ocorre em diversas frentes – políticas, econômicas, sociais e técnicas – e envolve múltiplos atores: governos, empresas, organizações internacionais, comunidades e sociedade civil.  Vista como essencial para atingir as metas do Acordo de Paris, a transição energética […]

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A transição energética, impulsionada pela urgência da descarbonização, tem ocupado o centro dos debates climáticos globais. Essa discussão ocorre em diversas frentes – políticas, econômicas, sociais e técnicas – e envolve múltiplos atores: governos, empresas, organizações internacionais, comunidades e sociedade civil. 

Vista como essencial para atingir as metas do Acordo de Paris, a transição energética implica a substituição de fontes fósseis (carvão, petróleo e gás) por fontes renováveis (solar, eólica, hídrica, biomassa), além de investimentos em eficiência energética, eletrificação e novas tecnologias (como o hidrogênio verde e baterias de longa duração), na perspectiva de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

No entanto, sob a superfície de soluções tecnológicas e metas de neutralidade de carbono, emerge uma pergunta fundamental: quem se beneficia dessa transição — e quem é deixado para trás? Essa é uma questão estratégica e ética que precisa ser colocada no centro das políticas públicas e dos projetos de infraestrutura energética.


O Paradoxo da Sustentabilidade: verde, mas desigual

Embora a substituição de fontes fósseis por renováveis seja vital para mitigar as mudanças climáticas, a forma como essa transição tem sido conduzida levanta preocupações sérias. Parques eólicos, usinas solares, hidrelétricas de “baixo carbono” e outras infraestruturas verdes têm se expandido em ritmo acelerado, muitas vezes em territórios vulneráveis — áreas indígenas, quilombolas, periferias urbanas ou zonas rurais marginalizadas, ou de populações tradicionais. Nestes locais, grandes empreendimentos são implementados com pouca ou nenhuma escuta das comunidades afetadas, reproduzindo lógicas de expropriação e invisibilização historicamente associadas ao extrativismo, em que os benefícios são exportados, enquanto os impactos ficam.

Ao priorizar metas técnicas e mercadológicas de “transição limpa”, sem considerar dimensões sociais e territoriais, o risco é construir uma transição que seja verde no discurso, mas injusta na prática — gerando uma nova camada de exclusão: a exclusão social verde.


Racismo ambiental e injustiça energética

Esse processo tem sido analisado por autores do campo da justiça ambiental como uma manifestação contemporânea do racismo ambiental: comunidades historicamente marginalizadas são mais uma vez empurradas para as zonas de sacrifício, agora em nome da sustentabilidade. Ao mesmo tempo, os benefícios da energia limpa — como acesso confiável, tarifas reduzidas ou participação nos lucros — raramente chegam às populações locais.

Isso revela um quadro de injustiça energética, no qual o direito à energia renovável não é tratado como um bem comum, mas como uma mercadoria concentrada nas mãos de grandes corporações. A lógica da “transição de cima para baixo” corre o risco de perpetuar desigualdades estruturais, em vez de enfrentá-las.


A urgência de uma transição energética justa

Para evitar que a transição energética se torne uma nova forma de colonialismo verde, é fundamental adotar princípios de justiça socioambiental, que reconheçam e incluam as comunidades afetadas como protagonistas das decisões energéticas. Isso implica:

• Consulta prévia, livre e informada, conforme estabelece a Convenção 169 da OIT.

• Modelos descentralizados e comunitários de geração de energia, que valorizem o conhecimento local e promovam autonomia energética.

• Redistribuição dos benefícios da transição, com reinvestimento em saúde, educação e infraestrutura local.

• Reconhecimento de territórios tradicionais e ecossistemas como sujeitos de direito, e não apenas como “zonas viáveis” para implantação de projetos.



A transição como oportunidade ou ameaça

A transição energética é uma janela histórica para repensar não apenas a matriz energética, mas os próprios fundamentos de desenvolvimento, propriedade e bem-estar. Se conduzida de forma crítica, participativa e territorializada, pode ser uma alavanca de justiça climática. Mas, se mantiver o atual modelo concentrador e tecnocrático, corre o risco de se tornar mais um capítulo da longa história de exclusão socioambiental nas periferias do mundo.

A pergunta que deve nos guiar é: transição para quem — e com quem?




Fontes: 
MAB – Movimento de Atingidos por Barragens e do Instituto Pólis
https://mab.org.br/

GUDYNAS, Eduardo. Extractivisms: Politics, Economy and Ecology. Winnipeg: Fernwood Publishing, 2021.

GUERRERO, Andrés. Geopolítica da transformação energética global e dinâmicas territoriais da transição energética na América do Sul. Sociedade & Natureza, v. 32, n. 2, p. 1–29, 2020.

PACHECO, Tânia; REDE BRASILEIRA DE JUSTIÇA AMBIENTAL. Racismo Ambiental: Vozes, percepções e iniciativas do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Heinrich Böll, 2010.

SASSEN, Saskia. Expulsions: Brutality and Complexity in the Global Economy. Cambridge, MA: Belknap Press, 2014.

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