O Fator https://ofator.com.br/ Apuração. Informação. Opinião. Fri, 20 Mar 2026 20:27:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://ofator.com.br/wp-content/uploads/2023/11/cropped-Favicon-O-Fator-32x32.png O Fator https://ofator.com.br/ 32 32 Suplente avalia ir à Justiça após vereador de BH mudar de partido https://ofator.com.br/informacao/suplente-avalia-ir-a-justica-apos-vereador-de-bh-mudar-de-partido/ Fri, 20 Mar 2026 20:27:53 +0000 https://ofator.com.br/?p=59883 A subsecretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Belo Horizonte, Luana de Souza, avalia acionar a Justiça Eleitoral pedindo a cassação do vereador Wagner Ferreira, que deixou o PV e, nesta sexta-feira (20), se filiou à Rede Sustentabilidade. Luana é a primeira suplente da chapa de candidatos lançados em 2024 pela federação composta por […]

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A subsecretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Belo Horizonte, Luana de Souza, avalia acionar a Justiça Eleitoral pedindo a cassação do vereador Wagner Ferreira, que deixou o PV e, nesta sexta-feira (20), se filiou à Rede Sustentabilidade. Luana é a primeira suplente da chapa de candidatos lançados em 2024 pela federação composta por PT, PCdoB e PV.

De acordo com o novo integrante da Rede, sua desfiliação foi resultado de um acordo político com o PV.  

A aliança elegeu, além de Ferreira, os petistas Bruno Pedralva, Luiza Dulci, Pedro Patrus e Pedro Rousseff e o comunista Edmar Branco.

A O Fator, Luana disse que a decisão sobre eventual ajuizamento de ação será tomada com a direção do PT.

“Entendo que, neste momento, não existe janela partidária. Nem houve anuência da federação para essa mudança. De toda forma, não farei nada sem dialogar com o PT. Mas considero importante registrar que esse mandato foi eleito de uma forma, dentro de um campo político e partidário, e não me parece correto que agora siga em outra direção”, afirmou.

A janela partidária deste ano termina no começo de abril e é destinada a deputados federais e estaduais. Segundo a legislação eleitoral, os vereadores vitoriosos em 2024 só poderão mudar de partido sem risco judicial de perder os mandatos em março de 2028, ano da próxima disputa municipal..

Conforme mostrou O Fator, Wagner Ferreira buscava um acordo no PV para deixar a legenda e manter sua cadeira na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Na Rede, o parlamentar é pré-candidato a deputado estadual.

Ferreira afirmou à reportagem que recebeu uma carta de anuência da direção do PV para deixar a sigla.

“Tomei todas as providências necessárias perante meu antigo partido. Estou seguro quanto a esta movimentação”, concluiu o vereador.

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Justiça suspende greve de trabalhadores da Fhemig https://ofator.com.br/informacao/justica-suspende-greve-de-trabalhadores-da-fhemig/ Fri, 20 Mar 2026 20:18:13 +0000 https://ofator.com.br/?p=59890 A Justiça determinou, nesta sexta-feira (20), a suspensão da greve dos profissionais de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A decisão, em caráter liminar, foi tomada pelo desembargador Carlos Levenhagen, relator do caso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Segundo Levenhagen, a greve, deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores da […]

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A Justiça determinou, nesta sexta-feira (20), a suspensão da greve dos profissionais de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A decisão, em caráter liminar, foi tomada pelo desembargador Carlos Levenhagen, relator do caso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Segundo Levenhagen, a greve, deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), gera “possibilidade de prejuízo à prestação dos serviços públicos de natureza essencial”. Ainda conforme o magistrado, o movimento configura “violação e/ou constrangimento de direitos e garantias fundamentais da população”.

A interrupção da greve, aponta o desembargador, deve ser imediata, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Com a paralisação, iniciada na terça-feira (17), as categorias abrangidas pelo sindicato têm atuado em escala mínima. Os trabalhadores questionam, por exemplo, o índice de recomposição salarial oferecido pelo governo a todo o funcionalismo público. 

O projeto de lei sobre o tema, que chegou à Assembleia Legislativa (ALMG) na semana passada, prevê reposição de 5,4%.

O sindicato também alega condições inadequadas de trabalho.

O que diz o governo de Minas?

Nos autos judiciários do caso, a Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) e a Fhemig afirmam que a greve impacta a rede hospitalar “de forma real e concreta”, com “irreparáveis prejuízos à saúde da população”. 

Ainda conforme o Executivo estadual, o movimento é ilegal. A alegação é que a estratégia dos trabalhadores contrariou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o direito de greve no serviço público.

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O retorno de Zezé Perrella à política https://ofator.com.br/informacao/o-retorno-de-zeze-perrella-a-politica/ Fri, 20 Mar 2026 18:29:19 +0000 https://ofator.com.br/?p=59877 O ex-senador Zezé Perrella (MG) prepara a volta à política. Conhecido também pelo período à frente do Cruzeiro, ele é pré-candidato a deputado federal. A O Fator, Perrella confirmou a pré-candidatura e disse ter um acordo com o PSDB. Apesar da menção ao ninho tucano, o ex-dirigente consta como filiado ao Avante no sistema da […]

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O ex-senador Zezé Perrella (MG) prepara a volta à política. Conhecido também pelo período à frente do Cruzeiro, ele é pré-candidato a deputado federal.

A O Fator, Perrella confirmou a pré-candidatura e disse ter um acordo com o PSDB. Apesar da menção ao ninho tucano, o ex-dirigente consta como filiado ao Avante no sistema da Justiça Eleitoral. 

Segundo interlocutores do Avante, Perrella havia sinalizado a intenção de estar na chapa que concorrerá à Câmara dos Deputados pelo partido.

Zezé Perrella foi senador de julho de 2011 até janeiro de 2019.. Eleito suplente de Itamar Franco, assumiu o cargo em decorrência da morte do titular. À época, era filiado ao PDT. Depois, migrou para o PTB e, por fim, para o MDB.

O ex-dirigente, que já integrou os quadros tucanos no início dos anos 2000, foi deputado federal entre 1999 e 2003. De 2007 a 2011, ocupou assento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A última passagem de Perrella pelo Cruzeiro aconteceu em 2019, como gestor do departamento de futebol.

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‘Vai e vem’ de Cleitinho sobre candidatura ao governo de Minas gera desconforto no Republicanos https://ofator.com.br/informacao/indecisao-cleitinho-sobre-candidatura-governo-de-minas-gera-desconforto/ Fri, 20 Mar 2026 17:08:36 +0000 https://ofator.com.br/?p=59867 Nome preferido pelo Republicanos para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, o senador Cleitinho Azevedo (MG) tem causado desconforto interno no partido por causa do “vai e vem” de suas falas públicas e conversas reservadas sobre a disputa eleitoral. Cleitinho já apresentou diversas posições sobre a corrida ao governo mineiro. Entre […]

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Nome preferido pelo Republicanos para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, o senador Cleitinho Azevedo (MG) tem causado desconforto interno no partido por causa do “vai e vem” de suas falas públicas e conversas reservadas sobre a disputa eleitoral.

Cleitinho já apresentou diversas posições sobre a corrida ao governo mineiro. Entre elas, a construção de uma candidatura em apoio a outros nomes de direita, como o vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), e anteriormente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que hoje apoia Simões.

O senador costuma lembrar também que o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, pode igualmente ser o escolhido para a disputa pelo partido. Por vezes, disse que definiria sua posição até março; depois, mencionou abril e maio e, mais recentemente, indicou que vai decidir até julho.

Além disso, interlocutores lembram que ele faz menções ao seu perfil de legislador, ao mesmo tempo em que fala sobre a montagem de uma equipe de governo caso seja eleito. As declarações contraditórias já são vistas, dentro da sigla, como uma característica conhecida do senador, de alguém que tende a agir mais pela emoção.

Mas, conforme apurou O Fator, a situação chegou ao ápice nesta semana, em meio a negociações conduzidas pelo presidente nacional da legenda, o deputado federal Marcos Pereira (SP), em busca de partidos para compor uma coligação. As declarações de Cleitinho passaram a atrapalhar essas articulações.

Segundo interlocutores de Cleitinho, ele já teria avisado à Executiva nacional sobre a extensão do prazo para a decisão. Aliados de Pereira, no entanto, dizem que o presidente da sigla soube da prorrogação por terceiros e reafirmou que o senador segue como nome do partido no estado.

Discursos opostos

O senador tem se posicionado de forma ambígua sobre a disputa ao governo de Minas. Em entrevistas a veículos do interior, chega a se colocar como candidato ao Executivo estadual, mas adota tom diferente em outras ocasiões. O “vai e vem” tem gerado irritação entre aliados e tem sido visto como arriscado.

Na semana passada, por exemplo, Cleitinho fez um discurso durante o aniversário de Falcão, em Patos de Minas. Parte dos presentes interpretou a fala como sinal de que ele disputaria o Palácio Tiradentes e até como um convite para que o prefeito integrasse a chapa como vice.

A fala foi ao encontro do que defende o presidente nacional do Republicanos, que já indicou a aliados em Minas a intenção de montar uma chapa puro-sangue, com o presidente da AMM como vice. Dias depois das declarações públicas no aniversário, porém, Cleitinho disse que ainda avaliaria se disputará o pleito.

Apoiadores afirmam que saem de encontros com o senador sem ter clareza se ele será ou não candidato, justamente o contrário do que deseja Pereira, que apresenta o parlamentar a correligionários e a outras legendas como candidato, amparado pelo bom desempenho nas pesquisas.

“Era melhor deixar em aberto. E isso nem é por causa do eleitorado, mas sim para as negociações. Tem hora que parece que será obrigado a disputar, que prefere ficar no Legislativo. Ele está na frente nas pesquisas, era pra ter mais tranquilidade e deixar Brasília cuidar disso”, disse um correligionário após encontro com o senador.

Anúncio postergado

Como mostrou O Fator, a direção nacional da legenda preparava para esta semana um anúncio formal da pré-candidatura de Cleitinho. A intenção era um posicionamento em resposta a Simões, que já abriu artilharia contra o Republicanos, ao mesmo tempo em que tenta atrair a legenda para o arco de alianças.

Na semana passada, o vice-governador criticou abertamente o presidente estadual do Republicanos, o deputado federal Euclydes Pettersen. Ele afirmou que a sigla deveria se preocupar mais com denúncias contra o deputado, “que está quase preso pela Polícia Federal”, em vez de discutir a administração do estado.

A declaração foi feita durante agenda em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e desagradou Pereira, principalmente porque, em seguida, Simões sinalizou para Cleitinho caminhar com ele no pleito. Pettersen é investigado por envolvimento no escândalo do INSS, que apura fraudes em empréstimos consignados a aposentados.

Pettersen, por sua vez, rebateu Simões e disse que Cleitinho tem como promessa de campanha abrir a caixa-preta das isenções fiscais concedidas a empresários em Minas: “São quase R$ 130 bilhões em jogo. Se tiver algum problema e Cleitinho descobrir, o valor pode superar as fraudes do Banco Master e do INSS juntas”.

Planos nacionais

Além de atrapalhar os planos do dirigente nacional do Republicanos no estado, há também um cálculo de âmbito nacional. Sem nome próprio na disputa pelo Palácio do Planalto, o entendimento é de que o partido precisa ocupar espaço em estados estratégicos para ampliar o poder de barganha em 2026.

Minas está nesse mapa. São Paulo também, onde o governador Tarcísio de Freitas tende a disputar a reeleição. A lógica é simples: quanto mais musculatura nos principais colégios eleitorais, maior o peso da legenda nas negociações nacionais, até mesmo para declinar de uma candidatura própria posteriormente.

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O que o PL de Minas Gerais alinhou em reunião com Valdemar Costa Neto https://ofator.com.br/informacao/pl-de-minas-gerais-reuniao-com-valdemar-costa-neto/ Fri, 20 Mar 2026 16:22:54 +0000 https://ofator.com.br/?p=59857 O PL já preencheu, ao menos neste primeiro momento, a cota destinada à filiação de deputados federais e estaduais de Minas Gerais que estavam em outros partidos. O Fator apurou que essa foi uma das conclusões da reunião de representantes da sigla no estado com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta semana, […]

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O PL já preencheu, ao menos neste primeiro momento, a cota destinada à filiação de deputados federais e estaduais de Minas Gerais que estavam em outros partidos. O Fator apurou que essa foi uma das conclusões da reunião de representantes da sigla no estado com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta semana, em Brasília (DF).

Na esfera federal, a sigla recebeu as filiações das deputadas Greyce Elias e Delegada Ione, ambas do Avante. Na próxima semana, será a vez de deliberar, em votação, sobre a chegada de Dr. Frederico (PRD) à agremiação. O PL foi sondado por ao menos 15 representantes de Minas no Congresso Nacional sobre a possibilidade de migração e não teve baixas.

Na esfera estadual, Chiara Biondini deixou o PP para se juntar aos liberais, sigla que abriga seu pai, o deputado federal Eros Biondini. Essas filiações, inclusive, também foram oficializadas na quarta-feira (18), durante o encontro dos mineiros com Valdemar.

A princípio, o receio de uma “chapa pesada” é o que dificulta a entrada de novos nomes com mandato. As conversas, porém, continuam ocorrendo enquanto a janela partidária segue aberta. Conforme o calendário eleitoral, parlamentares têm até 4 de abril para trocar de legenda sem nenhum tipo de punição.

Senado e giro pelo estado

De acordo com interlocutores, o foco do PL é fechar a montagem das chapas proporcionais antes de voltar as atenções para pré-campanhas majoritárias já definidas, como a do deputado federal Domingos Sávio ao Senado Federal e a do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República.

Após o fim da janela partidária, Domingos Sávio vai passar o comando da legenda no estado para o ex-deputado federal José Santana e para o deputado federal Zé Vitor, a fim de se dedicar à pré-candidatura. Giros pelo estado ao lado de Flávio Bolsonaro estão sendo articulados.

A outra vaga ao Senado na chapa continua em aberto para um quadro próprio ou para um indicado por outra legenda. Essa última possibilidade é mais ventilada, uma vez que o PL pretende utilizar o posto como trunfo para a montagem de uma coligação de direita no estado nas eleições deste ano.

Último passo: governo de Minas

As conversas sobre o governo de Minas, por sua vez, só devem avançar após o prazo ligado à janela partidária. O deputado federal Nikolas Ferreira (MG) defende uma aliança com o vice-governador e pré-candidato do PSD ao Executivo estadual, Mateus Simões.

Nikolas e Simões têm participado juntos de agendas pelo interior mineiro, em movimento visto pelo entorno do pessedista como um sinal de que há espaço para fechar acordo com o PL.

O nome do vice era visto com reticência por parte da legenda, mas voltou ao jogo sobretudo pelo fato de que ele assumirá, no próximo domingo (22), a gestão de Minas no lugar de Romeu Zema (Novo), que vai se desincompatibilizar para disputar o Palácio do Planalto.

O PL espera que, à frente do estado, Simões não faça gestos apenas a Nikolas, como já tem feito, mas também a outros parlamentares. Outro nome lembrado é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que aparece em vantagem nas pesquisas de intenção de votos.

Candidaturas próprias também não são descartadas, como a do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que deve se filiar à sigla em abril. O nome dele também é lembrado para uma composição como vice.

Discurso alinhado

A reunião também serviu para unificar o discurso sobre a polêmica de que o PL seguiu, em Minas, a estratégia da direção nacional ao aceitar a filiação de nomes não tão alinhados ao bolsonarismo. O movimento encontrava resistência de Nikolas Ferreira, como revelou O Fator.

O parlamentar reivindicava que as chapas legislativas da sigla fossem compostas majoritariamente por nomes ideologicamente próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ala do presidente Valdemar Costa Neto, contudo, teria dado espaço a perfis variados, incluindo figuras identificadas como o centro do espectro político.

Para pacificar o cenário, os dirigentes afirmaram que não houve desconforto e que o único critério adotado foi o histórico de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a legenda, não houve qualquer desalinhamento em relação ao que defendia Nikolas.

O deputado federal foi o mais votado do partido nas últimas eleições e é considerado o principal puxador de votos no estado. Por isso, há o cuidado de não desagradá-lo. Nikolas era tido como favorito para concorrer ao governo de Minas, mas declinou do convite e passou a buscar apoio da legenda para Mateus Simões.

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CGE de MG aplica multa de R$ 88 milhões à Vale por fraude em documentos da barragem de Brumadinho https://ofator.com.br/informacao/cge-de-mg-aplica-multa-de-r-88-milhoes-a-vale-por-fraude-em-documentos-da-barragem-de-brumadinho/ Fri, 20 Mar 2026 16:11:58 +0000 https://ofator.com.br/?p=59861 A Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE-MG) aplicou multa de R$ 88 milhões à mineradora Vale por fraude em documentos relacionados à barragem B1, da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. A decisão é desta sexta-feira (20). Segundo a CGE-MG, a empresa usou documentos com informações inverídicas sobre a estabilidade da estrutura, que se […]

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A Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE-MG) aplicou multa de R$ 88 milhões à mineradora Vale por fraude em documentos relacionados à barragem B1, da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. A decisão é desta sexta-feira (20). Segundo a CGE-MG, a empresa usou documentos com informações inverídicas sobre a estabilidade da estrutura, que se rompeu em janeiro de 2019 e matou 270 pessoas. Cabe recurso.

O órgão entendeu que houve uso de interposta pessoa jurídica para emissão de relatório de auditoria técnica e de Declaração de Condição de Estabilidade com dados falsos sobre a barragem. Ainda de acordo com o despacho, empresa ocultou e dissimulou a real condição de segurança estrutural do empreendimento perante a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o que dificultou a fiscalização.

A multa foi aplicada com base na Lei Anticorrupção e corresponde a 0,1% do faturamento bruto estimado da companhia em 2019, excluídos os tributos. Além da penalidade financeira, a decisão determina a publicação extraordinária da condenação em meio de comunicação de grande circulação, a afixação de edital no estabelecimento da empresa por 30 dias e a divulgação do teor da decisão na página principal do site da companhia pelo mesmo período.

Tüv Süd também foi punida

Em novembro de 2024, a CGE-MG já havia rejeitado pedido de reconsideração apresentado pela Tüv Süd Brasil Engenharia e Consultoria e mantido punições aplicadas à empresa por sua atuação no caso. Na ocasião, o órgão afirmou que a consultora alemã emitiu laudos e declarações com conteúdos inverídicos sobre a estabilidade da barragem e ocultou a condição crítica da estrutura diante dos órgãos de fiscalização.

Investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal apontou a existência de mensagens internas em que funcionários da Tüv Süd demonstravam preocupação com o prazo para emissão do laudo e divergências técnicas sobre a estabilidade da barragem. Em um dos e-mails citados na apuração, um funcionário afirma que não seria possível assinar a Declaração de Condição de Estabilidade da estrutura.

Mesmo assim, a consultoria emitiu em 1º de setembro de 2018 um documento atestando que a barragem estava em condições adequadas do ponto de vista da estabilidade física do maciço e das estruturas hidráulicas. Esses elementos integraram o conjunto de apurações que levou à responsabilização administrativa no caso.

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Reconstrução da Ponte Queimada reabre discussão sobre ameaças ao Parque Estadual do Rio Doce https://ofator.com.br/informacao/reconstrucao-da-ponte-queimada-reabre-discussao-sobre-ameacas-ao-parque-estadual-do-rio-doce/ Fri, 20 Mar 2026 14:21:06 +0000 https://ofator.com.br/?p=58299 Por muito pouco, o Parque Estadual do Rio Doce, dono da maior área contínua original de Mata Atlântica do país, com 36 mil hectares, não foi novamente cortado ao meio. A possibilidade, surgida após o anúncio da reforma da Ponte Queimada — entre Marliéria e Pingo d’Água, no Vale do Aço —  e da reabertura […]

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Por muito pouco, o Parque Estadual do Rio Doce, dono da maior área contínua original de Mata Atlântica do país, com 36 mil hectares, não foi novamente cortado ao meio. A possibilidade, surgida após o anúncio da reforma da Ponte Queimada — entre Marliéria e Pingo d’Água, no Vale do Aço —  e da reabertura ao tráfego na Estrada do Salão Dourado, no entanto, está em suspenso, pois a obra na ponte foi embargada em um cenário que mistura decisão judicial e problemas estruturais.

A sentença, proferida em outubro do ano passado pelo juiz Maycon Jesus Barcelos, de Timóteo, diz que as obras só poderão ser retomadas após o Instituto Estadual de Florestas (IEF), responsável pelo parque, instale um ponto de monitoramento nas proximidades da ponte, que teve a estrutura danificada por um incêndio em 2023.

Entre o sinal verde ao início das obras e a decisão judicial embargando a intervenção passaram-se seis meses. A cronologia do caso começa em 11 de abril, quando a Prefeitura de Marliéria abriu licitação para a reforma. Os trabalhos seriam bancados por emenda de R$ 1,2 milhão ao orçamento da União para o ano passado, sob indicação da deputada federal Rosângela Reis (PL), que tem o Vale do Aço como reduto político.

A provocação ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), autor da ação que originou a suspensão judicial das obras, veio uma semana depois, pelas mãos da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e da Fundação Relictos, de Ipatinga. As entidades encaminharam representação alertando o MPMG do caso e solicitando a interrupção do edital até a implantação de medidas de controle de tráfego na Estrada do Salão Dourado.

A mesma solicitação foi feita a Breno Lasmar, então diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), que, meses depois, acabaria sendo preso no âmbito da Operação Rejeito, que investigou denúncias de corrupção na liberação de licenças ambientais.

A Amda argumentou que a abertura da estrada sem as ações de controle aumentaria o risco de incêndios e atropelamento de animais. Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o MPMG enviou recomendação à diretora de Unidades de Conservação do IEF, Letícia Horta Vilas Boas, para que instalasse um posto de fiscalização nas proximidades da Ponte Queimada para impedir o acesso de pessoas não autorizadas ao parque.

O controle poderia ser por meio de sensores e cancelas automatizadas e deveria ser implementado “de forma rigorosa” pelo Instituto, como consta no documento do Ministério Público. O descumprimento poderia ser punido com pena de reclusão de um a três anos e pagamento de multa.

Uma semana depois, em 12 de junho, a mesma recomendação chegou ao prefeito de Marliéria, Hamilton Lima, do Republicanos. No documento, o Ministério Público recomendava que o Executivo não praticasse qualquer ato em prol da reabertura da Estrada do Salão Dourado ao tráfego não controlado de veículos.

Na decisão de outubro, Maycon Barcelos também determinou que o IEF implantasse nas imediações da ponte, em 180 dias, a estrutura de controle do acesso à Estrada do Salão Dourado. No mesmo prazo, o Instituto deveria instalar redutores de velocidade e placas de advertência para a travessia de animais silvestres e domésticos e de limitação da velocidade na estrada. O IEF tinha outra obrigação, mas com prazo de 300 dias: a apresentação do plano de uso da rodovia e do programa de monitoramento de atropelamentos de fauna.

Caminhos diferentes

Após a sentença, a Prefeitura de Marliéria e o IEF optaram por caminhos diferentes. Em 3 de novembro, uma semana depois da sentença, Hamilton Lima assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. Já o IEF entrou com um agravo de instrumento questionando, em segunda instância, a decisão do juiz de Timóteo.

No TAC, o prefeito assegura que a Ponte Queimada irá permanecer fechada à passagem indiscriminada de pessoas e veículos até que o posto de controle seja construído e aparelhado pelo IEF. A prefeitura também se prontificou a, durante a obra, implantar bloqueios provisórios e placas indicativas sobre a proibição de acesso à ponte e à Estrada do Salão Dourado.

De acordo com o TAC o acesso ficaria liberado somente aos trabalhadores da obra e a funcionários do IEF que atuam na gestão, fiscalização e pesquisa científica no Parque, além de profissionais de combate a incêndios.

Enquanto isso, no recurso judicial, o IEF pedia a dilação dos prazos fixados pelo juiz de Timóteo para a instalação da guarita. Segundo a autarquia, não seria possível terminar o processo em 180 dias, por causa da necessidade de submeter a obra às regras da Lei de Licitações.

Na visão do IEF, o prazo factível para o término da construção do ponto de fiscalização é julho de 2027. Enquanto isso, pediu para apresentar, em dezembro deste ano, o Plano de Uso da Estrada do Salão Dourado.

Obra embargada

Quase um mês após a assinatura do TAC, entrou em cena o Departamento de Engenharia da Prefeitura de Marliéria, que, em três vistorias, apontou problemas nas obras de reforma da Ponte Queimada, como o uso de material de qualidade inferior. Esses insumos, apontou o setor técnico, resultaram em dormentes com rachaduras severas, trincas e fixações comprometidas. Em alguns casos, parafusos teriam sido diretamente aplicados sobre fissuras, reduzindo significativamente a resistência das peças.

A fiscalização também detectou ausência de tratamento técnico adequado da madeira. A empresa responsável pelo fornecimento, segundo o Departamento de Engenharia, não apresentou laudos de eficiência, certificação ou comprovação formal do processo de preservação do material.

Durante inspeção, os técnicos verificaram que o suposto tratamento estava sendo realizado manualmente, com aplicação de substância oleosa semelhante a óleo queimado misturado com betume. O procedimento, de acordo com a prefeitura, não atende às normas técnicas e pode gerar riscos estruturais e ambientais. Em 4 de fevereiro, a prefeitura constatou que os ajustes solicitados não foram feitos e decidiu embargar a obra, que segue paralisada.

Em entrevista a O Fator, o empresário Moisés Dias Portilho, proprietário da companhia vencedora da licitação, a MDP Construção Civil, nega que tenha usado material de baixa qualidade na obra e disse que a questão será resolvida na Justiça. 

“Vou atrás dos meus direitos”, protestou.

Moisés afirma que pretende questionar alguns aspectos do edital, como, por exemplo, o prazo dado para o tratamento da madeira. A obra deveria ser executada em dois meses, mas segundo ele, trata-se do tempo mínimo para o cuidado da madeira a ser utilizada na reconstrução do piso da ponte.

“Tentei fazer o melhor possível”, completou.

A Prefeitura de Marliéria ainda não definiu como fará a retomada da obra. Informou que está avaliando a possibilidade de abrir nova concorrência ou, alternativamente, chamar o segundo colocado, conforme prevê a Lei de Licitações.

Com seus 36 mil hectares, Parque Estadual do Rio Doce é a maior área contínua original de Mata Atlântica do País. Foto: Robson Santos/Sisema

Mudança de postura

Há quatro meses, logo depois que o recurso para a reforma da ponte foi depositado na conta bancária municipal, o prefeito de Marliéria, Hamilton Lima, era um entusiasta da obra. No dia 9 de outubro, o site da administração local publicou matéria que definia a obra como “conquista histórica” para a região, pelo fato de o acesso beneficiar diversos municípios vizinhos.

O texto também destaca o papel desempenhado pela prefeitura. “Desde o início, a Prefeitura de Marliéria desempenhou papel decisivo em todo o processo: elaborou o projeto de reforma, articulou junto à deputada (Rosângela Reis) a destinação dos recursos, promoveu a licitação e, agora, com o recurso já depositado, dará início à execução da obra”.

Após a assinatura do TAC e o embargo da obra, Hamilton passou a pregar cautela. A O Fator, limitou-se a dizer que pretende terminar a reforma da ponte e instalar as barreiras para limitação do acesso, mantendo-as até que o IEF tenha uma guarita e um sistema de monitoramento.

 “Como a estrada está dentro do parque, a partir daí, vai ser tudo com o IEF”, falou.

A superintendente-executiva da Amda, Maria Dalce Ricas, se diz satisfeita com o desfecho do caso. Na visão dela, prevaleceu o bom senso. Ricas reconhece que Ponte Queimada faz parte da memória afetiva dos habitantes da região e é importante para as atividades de preservação do parque, de pesquisa e de turismo. 

Segundo ela, há alívio gerado pelo entendimento da Justiça de que a abertura da Estrada do Salão Dourado sem controle da entrada de veículos constituiria uma séria ameaça ao parque. 

Municípios não estão isolados

Pelo Instagram, Rosângela e o prefeito de Marliéria ressaltaram que a ponte e a estrada eram muito importantes para conectar os municípios de Córrego Novo e Pingo d’Água com Marliéria e o restante do Vale do Aço.

Córrego Novo e Pingo d’Água, contudo, não estão isolados da região. Segundo o Censo de 2022, 2,87 mil pessoas vivem em território córrego-novense. No município vizinho, estão 4,8 mil habitantes. As duas cidades têm uma economia baseada sobretudo em agropecuária e comércio. Ambas compõem o Colar Metropolitano do Vale do Aço e a Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce, uma espécie de área de proteção do parque, onde há restrições para a prática de algumas atividades. 

Há conexão direta das cidades com Ipatinga por meio da LMG-759. A estrada, de 52 quilômetros, corre em sentido sul-norte. Começa em Córrego Novo, passa por Pingo d’Água e pelo povoado de Revés de Belém, no município de Bom Jesus do Galho, até atingir a BR-458, que faz a ligação da BR-381 com a BR-116. Ao chegar a este entroncamento, o motorista está a não mais do que cinco quilômetros do bairro Castelo, já na zona urbana de Ipatinga.

A pavimentação da LMG-756 foi concluída em 2012, exatamente para que se pudesse criar uma conexão pavimentada dos municípios localizados a leste do parque com o Vale do Aço.

Já pela estrada que corta o parque ao meio, a ligação de Córrego Novo e Pingo d’Água com o Vale do Aço se dá pelo município de Timóteo, que fica a oeste do parque. Por este caminho, a distância entre Córrego Novo e Timóteo é um pouco menor: 40 quilômetros.

Porém, trata-se de um trajeto em que a maior parte – cerca de 30 quilômetros — é percorrido em estrada de chão de uma só pista. Desse total, cerca de 20 quilômetros correspondem à Estrada do Salão Dourado, no interior do parque. O restante do trajeto até Timóteo é feito por uma rodovia asfaltada, a LMG-760.

O Instagram costuma ser um termômetro da importância que determinados temas têm para a administração municipal. Nas redes das prefeituras de Córrego Novo e de Pingo d’Água, predominam portagens mostrando as realizações de cada gestão.

Na página de Córrego Novo, nenhuma das 157 publicações feitas pela atual gestão, que tomou posse em janeiro do ano passado, faz menção à importância da recuperação da ponte e do acesso pela Estrada do Salão Dourado.

A equipe de comunicação de Pingo d’Água, por sua vez, fez 138 publicações desde o ano passado. Uma delas, feita em 19 de fevereiro do ano passado, mostra reunião ocorrida entre representantes da prefeitura e do parque para discutir a reforma da Ponte Queimada.

Córrego Novo não está isolada dos demais municípios do Vale do Aço. Foto: Prefeitura de Córrego Novo/Divulgação

Um pouco de história

A criação do Parque Estadual do Rio Doce, em 1944, ocorreu em um momento em que havia uma grande movimentação internacional pela criação de unidades de conservação. A onda também resultou na instalação de dois importantes parques nacionais: o do Itatiaia, na fronteira de Minas com o Rio de Janeiro; e o do Iguaçu, no Paraná, ambos em 1939.

O Parque do Rio Doce surgiu a partir de decreto do governador Benedito Valadares, mas o Dom Helvécio Gomes de Oliveira foi imprescindível para a criação. Segundo habitantes locais, antes da intervenção do religioso em prol da reserva natural, a floresta só estava de pé por causa da malária, que afastava os degradadores.

A despeito das ameaças que sofre no seu entorno, o parque segue como museu vivo dos tempos imemoriais em que o bioma estava intacto. Quem decide fazer essa viagem em direção ao passado encontra árvores gigantes de madeira de lei, como vinháticos, gameleiras e jequitibás, estas últimas com uma altura que pode chegar a 50 metros, o mesmo que um edifício de quase 20 andares.

Encontra também um notável sistema lacustre formado por quarenta lagoas naturais intocadas, entre as quais está a Lagoa Dom Helvécio, com 6,7 quilômetros quadrados e profundidade de até 32 metros, tendo sido um abrigo riquíssimo de fauna aquática.

O parque é um espetáculo também para quem aprecia os animais. Lá, vivem espécies da fauna ameaçadas de extinção, como a onça pintada, o macuco e o muriqui (mono-carvoeiro), o maior primata das Américas. O parque abriga também uma preciosa relíquia: a Mata dos Campolinas, área de mata virgem, com árvores milenares, de muitos séculos antes do descobrimento do Brasil.

A Ponte Queimada foi inaugurada em 1950, seis anos após a criação do parque. Seus pilares são em concreto e a estrutura que constitui a pista de rodagem é em aço coberto por dormentes de madeira. Em 1951, a travessia foi interditada por funcionários do parque, que fecharam com cercas de arame a entrada nos dois extremos da rodovia no trecho em que corta a reserva.

De acordo com a historiadora Elisângela Barbosa Santos, que pesquisou a história do Parque do Rio Doce para sua tese de mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a proibição não demorou a ser revogada. Segundo um dos depoimentos coletados por ela, havia um acordo entre o governo do estado e a antiga Companhia Aços Especiais Itabira (Acesita), na época ainda uma estatal, para que o fluxo da estrada não fosse interrompido.

Pelo local, passavam os caminhões que levavam, para a usina da Acesita, o carvão produzido com árvores da Mata Atlântica. Ainda conforme os relatos colhidos por Elisângela, o barulho dos caminhões transportando o material era ouvido dia e noite.

A história da Ponte Perdida

A Ponte Queimada e a Estrada do Salão Dourado não foram as únicas tentativas de cortar o parque por uma estrada. Em 1953, o governo estadual autorizou a construção de uma ponte em concreto armado ligando as margens do Rio Doce, na altura de uma localidade denominada Revés de Belém, pertencente ao município de Bom Jesus do Galho.

A ponte era uma reivindicação do então secretário de Viação e Obras Públicas, José Augusto Ferreira Filho, ex-prefeito de Caratinga, no Leste de Minas. Ele pretendia encurtar a distância entre sua cidade e a capital com uma nova estrada, percorrendo oito quilômetros do Parque do Rio Doce.

A ponte foi construída; a estrada, não. Apesar disso, a Acesita não deixou de defender a abertura da via. Conforme Elisângela Santos, relatos indicam que, em 1956, funcionários do parque fizeram estudos em prol de uma estrada na altura de Revés do Belém.

O projeto permaneceu em compasso de espera até o início dos anos de 1970, quando o Executivo estadual decidiu autorizar a construção da estrada, com recursos federais. A empreitada, porém, acabou interceptada pelo ambientalista Hugo Werneck, então presidente do Centro para a Conservação da Natureza em Minas Gerais, que levou a questão para o procurador da República em Minas, Antônio Amaro Filho.

Em parecer encaminhado ao governador Rondon Pacheco, Filho demonstrou a ilegalidade da obra. O relatório fez com que a construção não avançasse. 

Assim, durante quatro décadas, a bela ponte em arco de concreto armado permaneceu intacta, ligando o nada a lugar nenhum. Hoje, é oficialmente denominada de Ponte Perdida, nome mais adequado ao que significa. Pelo Google, é possível visualizar a sombra de seus arcos de concreto sobre as águas do Rio Doce. No início do atual século, o IEF instalou sobre seu vão um laboratório de monitoramento ambiental.

A tentativa de construção da estrada foi a primeira ameaça grave conhecida que pesou sobre o parque. Nos anos seguintes, outras se seguiram, à medida que ocorria o adensamento populacional dos municípios que compõem o Vale do Aço: Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso, que hoje formam uma região metropolitana de 671 quilômetros quadrados e cerca de 451 mil habitantes.

O Vale do Aço está ao norte e a noroeste do parque. A leste, em que pese a Ponte Perdida e sua ameaça não concretizada, ainda há uma distância razoável entre as manchas urbanas e os limites do parque.

Ao norte, as tentativas de invasão esbarram no Rio Piracicaba, barreira natural do Parque. Porém, quando se desce um pouco mais no sentido da faixa que compõe o limite oeste, o perigo se torna real.

Isso acontece porque o Rio Piracicaba deixa de ser o acidente geográfico que separa o parque da mancha urbana. A divisa passa a ser uma simples cerca de arame que foi, incontáveis vezes, transposta por ocupações urbanas realizadas com incentivo, ou complacência, do estado e de prefeituras.

Ao longo das últimas décadas, a maior parte das ameaças veio de um município – Timóteo –, cujo limite com o parque se faz por essa cerca. Em 50 anos, o número de habitantes do município triplicou, passando de 32 mil (1970) para 90,5 mil (2020). Mas foi em um período menor, de 1970 a 1990, que ocorreram as mais significativas ocupações de áreas próximas ao parque.

O primeiro foi o loteamento Limoeiro, construído na gestão do prefeito Geraldo Nascimento (1989-1992), em área limítrofe ao parque. Ao mesmo tempo, ele estimulou a ocupação de outra área, o Macuco, que era do próprio município.

O prefeito que o sucedeu, Leonardo Rodrigues (1993-1996), deu sequência à ocupação das vizinhanças do parque, ampliando a ameaça. Tanto que em 1993, um incêndio ocorrido no Macuco ultrapassou a cerca divisória e o atingiu, queimando 1 mil hectares de sua área.

Uma parte da ocupação das áreas limítrofes ao parque se deu a partir de áreas colocadas à venda pela siderúrgica Aperam. A Mata dos Funcionários, localizada a sete quilômetros da reserva, foi a última transferência de terras feita pela empresa. No último relatório da política de ESG (Meio Ambiente, Segurança e Governança, na sigla em inglês) a Aperam afirma ser proprietária de cerca de 40 mil hectares de áreas de mata.

No final do ano passado, a Câmara Municipal de Timóteo aprovou projeto que altera o plano diretor da cidade e abre caminho para a urbanização da área.  O texto foi aprovado sob protestos da comunidade.

A Amda enviou ofício ao CEO da Aperam, Rodrigo Vilella, sugerindo que as áreas ainda cobertas por Mata Atlântica pertencentes à empresa sejam transformadas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Na resposta à correspondência da Amda, Vilella disse que a siderúrgica tem a expectativa de que qualquer eventual intervenção futura na Mata dos Funcionários seja precedida de amplo diálogo com a comunidade e com os órgãos competentes. Sobre a criação de RPPNs, indicou que o tema é objeto de análise periódica internamente na empresa através de um rigoroso critério técnico.

A travessia localizada em Revés de Belém. Foto: IEF/Divulgação

Ponte Queimada resistiu até 1979

A Ponte Queimada recebeu esse nome porque a estrutura original que havia no local foi destruída por um incêndio em 1793. Em 1930, a travessia foi reconstruída, já com pilares de concreto, e continuou funcionando até janeiro de 1979, quando acabou levada por uma das maiores cheias da história do Rio Doce.

À ocasião, a Florestal Acesita, responsável pelo abastecimento de carvão da siderúrgica, entrou novamente em cena e, em 22 de junho de 1979, solicitou formalmente ao IEF a autorização para a abertura da estrada do Revés de Belém, que já tinha a ponte de concreto em arco construída sobre o rio Doce desde 1950. Ao mesmo tempo, pediu o fechamento definitivo da Estrada da Ponte Queimada.

Como já havia decisão judicial sobre a Estrada do Revés de Belém proibindo sua construção, a Acesita decidiu, por conta própria, e à revelia do IEF, reconstruir a Ponte Queimada e fazer o patrolamento da estrada, que, com isso, voltou a ser utilizada, entre outras coisas, para o transporte de carvão para a  Acesita.

Esse uso durou até 1984, quando a ponte foi novamente destruída por outra enchente. E foi reconstruída três anos depois, em 1987, quando o uso da estrada foi retomado. Em agosto de 2023, um incêndio destruiu 10 metros da ponte, o que levou, novamente, à sua interdição, que a Prefeitura de Marliéria e Rosângela Reis estão tentando reverter com a reconstrução.

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O impacto do acordo com trabalhadores da Cemig no lucro da estatal https://ofator.com.br/informacao/o-impacto-do-acordo-com-trabalhadores-da-cemig-no-lucro-da-estatal/ Fri, 20 Mar 2026 14:16:22 +0000 https://ofator.com.br/?p=59846 O acordo homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) em dezembro para reorganizar o plano de saúde e o plano odontológico de empregados e aposentados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) refletiu diretamente no resultado do quarto trimestre de 2025 da estatal. No período, foi registrada alta de 88% no lucro […]

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O acordo homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) em dezembro para reorganizar o plano de saúde e o plano odontológico de empregados e aposentados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) refletiu diretamente no resultado do quarto trimestre de 2025 da estatal. No período, foi registrada alta de 88% no lucro líquido, passando de R$ 997,6 milhões entre outubro e dezembro 2024 para R$ 1,88 bilhão para o mesmo período do ano passado.

Os resultados foram divulgados ao mercado na madrugada desta sexta-feira (20).

Mesmo com o efeito positivo concentrado no fim do ano, a Cemig encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 4,90 bilhões, abaixo dos R$ 7,12 bilhões registrados em 2024, e destinou R$ 3,51 bilhões em proventos aos acionistas.

Ebitda

Entre outubro e dezembro, o Ebitda total subiu 53,9%, para R$ 2,95 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 6,5%, para R$ 1,81 bilhão, indicando que a melhora do trimestre não refletiu no mesmo ritmo na operação recorrente.

No consolidado do ano, a companhia registrou Ebitda de R$ 8,28 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 7,30 bilhões. 

A diferença entre os dois indicadores incorpora o efeito do acordo, que reduziu obrigações futuras ligadas à assistência aos beneficiários e teve impacto líquido de R$ 1,19 bilhão no Ebitda e de R$ 788,1 milhões no lucro líquido apenas no quarto trimestre.

O Ebitda é um indicador usado pelo mercado para medir a geração operacional de caixa antes de despesas financeiras, impostos e efeitos contábeis. Já o Ebitda Ajustado tenta mostrar o desempenho sem itens extraordinários, como o acordo trabalhista que alterou o retrato do trimestre. 

Proventos

Do total de R$ 3,51 bilhões em proventos, R$ 2,42 bilhões correspondem a juros sobre capital próprio já anunciados ao longo do exercício. Outros R$ 417 milhões foram pagos em dezembro, na forma de dividendos retirados da reserva de lucros. 

A administração ainda propôs mais R$ 676 milhões em dividendos, que serão submetidos à Assembleia Geral Ordinária prevista para abril de 2026. Se aprovados, completam o valor total de proventos informado pela estatal.

O que diz o acordo

Homologado em dezembro, o novo modelo unificou acordos firmados com entidades representativas, encerrou cerca de 10 ações coletivas sobre o tema e elevou para R$ 1,28 bilhão o aporte da empresa ao fundo indenizatório, após um acréscimo de R$ 30 milhões. 

Pelo desenho aprovado, os empregados da ativa passarão ao Plano Premium, com mensalidades custeadas integralmente pela Cemig para titulares e dependentes diretos, enquanto aposentados, ex-empregados e pensionistas serão migrados para outro plano, operado pela Cemig Saúde.

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Governo libera R$ 1,9 milhão para Defesa Civil em Juiz de Fora https://ofator.com.br/informacao/governo-libera-r-19-milhao-para-defesa-civil-em-juiz-de-fora/ Fri, 20 Mar 2026 14:06:27 +0000 https://ofator.com.br/?p=59826 O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou nesta sexta (20) o repasse de R$ 1,9 milhão para ações de Defesa Civil em Juiz de Fora. A portaria foi publicada no Diário Oficial. A prefeitura tem 180 dias para executar as obras. Balanço atualizado da Defesa Civil registra 74 mortes pelas chuvas na Zona […]

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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou nesta sexta (20) o repasse de R$ 1,9 milhão para ações de Defesa Civil em Juiz de Fora.

A portaria foi publicada no Diário Oficial.

A prefeitura tem 180 dias para executar as obras.

Balanço atualizado da Defesa Civil registra 74 mortes pelas chuvas na Zona da Mata, sendo 65 em Juiz de Fora, oito em Ubá e uma em Muriaé.

No ano passado, O Fator revelou que a prefeitura de Juiz de Fora levou mais de três anos para documentar ações de reconstrução e recuperação de infraestrutura após chuvas intensas em janeiro de 2022.

Leia mais:

Fazenda adia datas de vencimento do Simples em Juiz de Fora e Ubá

Governo libera R$ 4,4 milhões para Defesa Civil em Ouro Verde de Minas

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Sob Propag, MG pagou R$ 1 bilhão em empréstimos; banco suíço recebeu mais da metade https://ofator.com.br/informacao/sob-propag-mg-pagou-r-1-bilhao-em-emprestimos-banco-suico-recebeu-mais-da-metade/ Fri, 20 Mar 2026 13:05:07 +0000 https://ofator.com.br/?p=59836 O governo de Minas Gerais pagou, entre janeiro e março deste ano, cerca de R$ 1 bilhão em parcelas de empréstimos que possuem garantias da União.  Segundo levantamento da Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) obtido por O Fator, R$ 709,5 milhões foram destinados a cobrir parte de uma operação de crédito firmada em 2012, na gestão […]

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O governo de Minas Gerais pagou, entre janeiro e março deste ano, cerca de R$ 1 bilhão em parcelas de empréstimos que possuem garantias da União. 

Segundo levantamento da Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) obtido por O Fator, R$ 709,5 milhões foram destinados a cobrir parte de uma operação de crédito firmada em 2012, na gestão de Antonio Anastasia, junto ao Credit Suisse. O banco suíço, que no ano retrasado foi incorporado à estrutura do UBS, do mesmo país, emprestou os recursos para ajudar a reestruturar uma dívida do Executivo estadual junto à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

O material da AGE-MG sobre os empréstimos foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nessa quinta-feira (19), no âmbito da decisão que suspendeu, por 180 dias, a ação sobre a renegociação da dívida mineira sob os moldes do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Os empréstimos voltaram a ser quitados em 2026 por causa da adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), sucessor do RRF. Uma das condições do programa é a retomada do repasse de prestações de débitos em que a União é avalista.

Antes do repasse ao Credit Suisse, a dívida com o banco sediado em Zurique estava em R$ 2,03 bilhões. O segundo contrato que mais recebeu recursos neste ano tem o Banco do Brasil como signatário. Em janeiro, o Palácio Tiradentes repassou R$ 163,8 milhões ao BB, a fim de amortizar um débito ligado ao fomento ao Programa de Infraestrutura Rodoviária (Proir). No início do ano, esse passivo era de aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

Dez contratos

Ao todo, o R$ 1 bilhão destinado a quitar as dívidas de empréstimos foi dividido entre 10 contratos. A lista de beneficiários do montante tem, por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu mais de R$ 34 milhões por ocasião de dois contratos.

Ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), por sua vez, foram transferidos R$ 89 milhões, na esteira de acordo fechado em 2010 para a execução de políticas públicas citadas no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI). 

Valores referentes a empréstimos pagos por minas em 2026 (em cifras aproximadas)

  • Janeiro: R$ 177,6 milhões;
  • Fevereiro: R$ 738,5 milhões;
  • Março: 102,3 milhões;
  • Total: 1,018 bilhão.

O outro impacto da dívida com o Credit Suisse 

O acordo entre Minas e Credit Suisse por causa da Cemig foi fechado em 2012. À ocasião, como garantia da operação de crédito, o banco suíço recebeu parte das ações detidas pela Minas Gerais Participações S/A (MGI) na energética. 

O caso também está relacionado ao Propag, porque o governador Romeu Zema (Novo) incluiu a MGI, avaliada em R$ 1,2 bilhão, na lista de bens que podem ser repassados à União como forma de abater a dívida de cerca de R$ 179,3 bilhões junto ao Tesouro Nacional. 

No entanto, quando sancionou a lei de federalização da MGI, em dezembro, Zema vetou artigo inserido pelos deputados estaduais barrando o repasse da empresa caso o peso financeiro das ações da companhia na Cemig fosse maior que seu valor completo de mercado. Nesta semana, o veto acabou derrubado pela Assembleia Legislativa (ALMG).

Considerando títulos emprestados ao Credit Suisse como garantia de um empréstimo feito pela administração estadual em 2012, a MGI possui 5,97% dos títulos da Cemig. Sem a parcela sob posse do banco estrangeiro, a participação acionária é de cerca de 1%.

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